Seus longos cabelos estavam bagunçados e grudados no rosto e nos lençóis, fazendo-a parecer uma boneca de pano rasgada.
O estado em que ela se encontrava servia apenas para jogar mais lenha na fogueira que ardia no peito de Gaspar.
Gaspar levantou-se abruptamente, deu as costas para ela e colocou as mãos na cintura.
Ele trincou o maxilar com força e, após um momento, disse com a voz rouca: — O médico virá te levar para os exames. Tenho assuntos na empresa, estou de saída.
Logo após falar, o som de seus passos se distanciou, seguido pelo barulho da porta se fechando.
Genebra continuou imóvel.
Não se sabia quanto tempo havia passado quando bateram na porta, entrando em seguida.
— Senhora, o senhor pediu que a levássemos para fazer os exames. — Eram duas enfermeiras.
Contudo, Genebra parecia estar dormindo e não reagiu.
As duas trocaram olhares e se aproximaram cautelosamente, notando que, sob os fios bagunçados, os grandes olhos de Genebra estavam abertos, porém opacos e sem vida.
Como se ela fosse um cadáver vivo.
A enfermeira se assustou e rapidamente verificou sua respiração e o pulso em sua artéria carótida.
Os cílios de Genebra tremeram de repente. A enfermeira, tomada pelo susto, recolheu a mão, constrangida: — Senhora, se a senhora estava acordada, por que não respondeu?
Era realmente assustador.
Genebra fez um movimento quase imperceptível. Com a garganta ainda queimando pelo ácido do estômago, ordenou com uma voz extremamente rouca: — Saiam.
— Senhora, o senhor nos mandou levá-la aos exames. Vai se trocar sozinha ou quer que ajudemos? — A enfermeira respondeu de forma educada, mas não deixou espaço para negociação.
Genebra deu um sorriso frio e sem humor. Aquelas pessoas haviam sido contratadas por Gaspar, era óbvio que só ouviriam a ele.
...
O Grupo Teixeira não estava em seus melhores dias.
Desde que Gaspar havia chegado à empresa logo cedo, ele não havia parado de lidar com documentos e telefonemas.
— O lado de Rubens ganhou força repentinamente. Antes eles não ousavam agir tão abertamente. — Disse Jaime, preocupado. — Será que é coisa de Emanuel...
Ele não concluiu a frase, mas o significado já estava claro.

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