Ela se levantou, caminhou até o quarto e fechou a porta atrás de si.
Gaspar não a seguiu. Através da porta de madeira, ela podia ouvir os pequenos ruídos de movimento e os passos no cômodo adjacente; Gaspar provavelmente estava arrumando a mesa e limpando tudo.
Genebra ficou momentaneamente perplexa. O poderoso e intocável Sr. Teixeira estava confinado com ela em um apartamento minúsculo de oitenta metros quadrados, arrumando a casa.
Tudo aquilo parecia surreal, mas a atitude de Gaspar naqueles últimos dias beirava a esquizofrenia de tão contraditória.
A leve comoção que ela havia sentido por um segundo dissipou-se tão rapidamente quanto surgiu.
O celular vibrou novamente. Uma nova mensagem do mesmo número desconhecido apareceu na tela: "Podemos conversar?"
O olhar de Genebra se tornou gélido. Era completamente bizarro que um estranho viesse oferecer uma aliança do nada.
Ela sequer sabia com quem estava lidando.
Poderia ser qualquer pessoa.
Com a fuga em andamento, ela não queria se envolver em imprevistos desnecessários.
Apagando a tela do celular, Genebra decidiu não responder.
Exausta pelos eventos tumultuados dos dias anteriores, trocou os lençóis da cama de forma apressada, deitou-se e, ao abrir os olhos novamente, o mundo lá fora estava envolto em completa escuridão.
Ela acordou desorientada, sem saber se era o início da noite ou alta madrugada.
Ao tentar verificar o celular, percebeu que a bateria havia acabado. Meio adormecida, caminhou até a sala em busca de água.
Ao cruzar a porta do quarto, um vulto escuro no sofá a sobressaltou.
Em um ato reflexo, ela acendeu as luzes da sala e suspirou aliviada ao reconhecer Gaspar.
— Por que você está dormindo aí? — perguntou Genebra, com um tom impaciente e ainda sob o efeito do susto.
O homem ergueu o braço para proteger os olhos da luz repentina. Ele piscou pesadamente e a encarou. Quando falou, a voz saiu arrastada e áspera, revelando que algo estava errado.
— Eu estava sentindo um pouco de tontura, pensei em deitar só um minuto e acabei pegando no sono. Não achei certo dormir na cama da sua mãe.
Genebra franziu a testa. Ela não queria saber por que ele escolhera o sofá; a pergunta, na verdade, era por que ele ainda não havia ido embora.
Sem disposição para discutir, ela deu dois passos à frente e segurou o pulso de Gaspar, na intenção de puxá-lo e obrigá-lo a sair.
O contato físico revelou uma pele excessivamente quente. Ela parou por um segundo e, instintivamente, levou a mão à testa dele.
— Você está com febre.
Gaspar pareceu demorar a processar a informação, e então tocou o próprio rosto lentamente.
— Acho que sim.
Logo em seguida, algo lhe ocorreu e ele apressou-se em cobrir o nariz e a boca com a mão, avisando com a voz abafada.

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