Gaspar também se assustou com o acidente repentino.
Ao ver a escultura no chão, quase reduzida a pó, não ousou imaginar o resultado se tivesse acertado sua cabeça.
Seu rosto estava assustadoramente sombrio.
— Você está tão cheia de vida, parece que não aconteceu nada.
— A Débora disse agora há pouco que você também caiu na água e me pediu para ver como você estava. Vejo que está ótima.
Genebra achou graça.
— Ela me empurrou na água e ainda banca a boazinha? Ela deve estar com medo que você verifique as câmeras de segurança.
Gaspar parou.
— O que você disse? Ela te empurrou na água?
Genebra não achou que ele acreditaria; virou-se para sair, mas teve o pulso agarrado e as costas chocaram-se contra um peito largo.
— Me solta! — Genebra achou aquilo o cúmulo da falta de vergonha.
— Você se importa tanto com a Débora, vá cuidar dela, mimá-la. O que veio fazer aqui fingindo ser bom marido?
Gaspar apertou os lábios em uma linha reta e levantou a mão para tocar a testa dela.
Genebra nem tinha percebido, mas batera a testa e agora havia um hematoma.
Quando as pontas dos dedos frios do homem tocaram sua testa, sentiu uma leve dor e virou o rosto instintivamente.
— Não a provoque. — A voz de Gaspar era grave, sem a agressividade de costume.
— Mais seis meses e tudo ficará bem.
Ficar bem?
Genebra achou ridículo.
Como poderia ficar bem?
Esperar a criança nascer para ela ser feita de palhaça?
— Gaspar, é melhor você esconder sua preciosidade. Não deixe ela aparecer na minha frente, ou da próxima vez eu chuto a barriga dela... Ai!
O homem apertou as bochechas de Genebra com uma mão, impedindo-a de falar.
Gaspar estava visivelmente irritado.
— Você não toque no filho dela, entendeu?
Genebra já estava acostumada, mas ouvir essa preferência sem limites ainda doía muito no coração.
Ela empurrou Gaspar com força e apontou para a porta, rosnando.
— Saia!

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