Quando se casaram, Genebra ainda tinha fantasias sobre Gaspar.
Nestes dois anos, os dias em que ela ficava sozinha em casa tornaram-se cada vez mais longos.
Ela parecia alguém presa em um cativeiro doméstico.
Perdera completamente a vitalidade.
Então, ela se dedicou de corpo e alma ao ateliê.
Mas as obras que produzia eram apropriadas por Amália.
Ela sempre achou que sua saúde tinha piorado porque não se cuidava o suficiente.
Agora sabia que tinha sido vítima de uma armação.
Seu casamento era um fracasso.
Sua vida estava prestes a ser destruída.
E Gaspar só achava que ela estava fazendo birra por causa de um computador.
— É, eu sou uma barraqueira, não sou digna de você. Vamos nos divorciar.
Genebra disse isso e fechou os olhos novamente.
Não tinha o menor desejo de se comunicar.
Gaspar achou que ela estava falando da boca para fora.
Ele jogou o computador de lado despreocupadamente.
— Chega, vou mandar entregarem um novo para você. Esse assunto encerra aqui.
Não encerrava.
Por que ele não entendia?
Genebra não tinha mais fé nele como pessoa.
Mas ela estava com preguiça de explicar.
O celular de Gaspar tocou.
Ele massageou a testa.
— Então deixe ela internada, o bebê não pode sofrer nada. Eu não vou para aí.
Genebra percebeu que ele falava de Débora.
Tantas vezes, Genebra notou que Gaspar se importava muito com aquela criança.
Mas ele vivia dizendo que o filho não era dele.
Um comportamento tão contraditório, só Gaspar era capaz disso.
O carro entrou no fluxo do trânsito.
Genebra estava exausta.
O carro era confortável e ela logo adormeceu.
No sonho, parecia que ela estava voando.
Viu Gaspar ajoelhado diante de uma lápide.
Ele chorava desesperadamente, irreconhecível.
Pedia desculpas sem parar.
Genebra se aproximou.
Só então viu que a foto na lápide era a dela.
Ela congelou.
— Genebra, acorde.
Alguém deu tapinhas leves em seu rosto.
Genebra abriu os olhos lentamente.
Viu o rosto indiferente de Gaspar.
Ela ficou atordoada.

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