Eles seguem sentados na recepção trocando olhares, até que os policiais chegam, por se tratar de uma questão de abusos, chegam um homem e uma mulher e se identificam na recepção.
– São aqueles dois. – Aponta a recepcionista na direção deles.
– Bom dia. – Diz a policial se aproximando. – Eu sou Karina Lengh e esse é meu parceiro Joseph Miller, qual o nome de vocês?
– Eu sou Levi Schneider e ela é Kaira Keller.
– Qual o problema aqui? – Questiona Joseph.
– Essa senhora está me acusando de estupro, ela que era virgem antes disso, como eu não a toquei, a trouxe até aqui para provar.
– Senhora, quer nos contar suas versões dos fatos? – Questiona Karina.
– Meu pai me drogou e me deixou num hotel e esse senhor esteve lá, no outro dia acordei com o vestido rasgado. – Diz ela baixando o olhar.
– Eu não toquei em você, eu já te disse isso.
– Você estava completamente nua, senhora?
– Não, eu estava usando um conjunto de lingerie quando acordei.
– Certo, você quer nos acompanhar a delegacia? Podemos fazer os exames lá.
– Não senhora, podemos fazer aqui mesmo, mas não quero que esse homem entre na sala.
– Ele não entrará, mas eu posso acompanhar você?
– Claro! – A policial caminha até a recepcionista e questiona quem é o médico que está livre, em poucos minutos o doutor Lutz aparece na recepção.
– Doutor Lutz, eu sou a policial Karina Lengh, vou acompanhar a senhora Keller para o exame, tudo bem?
– Certo, me acompanhem. – Elas entram no consultório e Kaira se prepara para o exame, ela está toda constrangida por estar passando por aquilo.
Ela deita-se em silêncio na maca e depois de alguns minutos o ginecologista a examina, ela fecha os olhos durante o exame, quando ele acaba ela o questiona.
– Então doutor?
– Você ainda é virgem. – Diz ele e ela suspira aliviada ao ouvir aquilo, ela deixa as lágrimas escorrerem.
– Doutor, você pode nos deixar a sós? – Questiona Karina.
– Claro, com licença. – Ao sair da sala ele recebe o olhar de Levi, que não o questiona, pois, sabe que ele não pode falar sem a autorização dela.
– Sra. Keller, você quer conversar sobre isso? Podemos te levar até a delegacia e você pode conversar com os nossos profissionais. – Kaira seca as lágrimas e sacode a cabeça em negativa. – Você quer relatar algum outro tipo de abuso? Quer denunciar o seu pai?
– Não, eu só quero ir embora. – Kaira não consegue falar naquele momento. – Você pode dizer a ele o resultado.
– Claro. – Kaira sai do consultório e vai direto para o carro.
– Sr. Schneider, a senhora Keller ainda é virgem, segundo o parecer do ginecologista.
– Eu disse que não toquei nela.
– Tem vários tipos de abusos, um toque indesejado, abusos psicológicos, abusos não são apenas a consumação de um ato sexual. – Diz ela encarando-o e ele fica em silêncio.
– Eu posso ir?
– Pode! – Diz ela liberando-o, pois Kaira não fez nenhuma denúncia contra ela.
– Sim, foi um show de horrores, eu sou um babaca, um homem bem escroto mesmo, eu deveria estar preso. Eu não respeitei os limites e os espaços dela.
– Pelo visto ela é virgem! – Diz Adolph.
– Sim, ela é! Eu não estou entendendo mais nada Adolph, ela é tão estranha, ao mesmo tempo que ela é inocente, ela fica o tempo todo me desafiando, eu não consigo entender como pode ser essa mulher? Eu acho que estou ficando doente com isso! O que minha mãe diria se estivesse viva, observando eu tratar uma mulher dessa forma, eu estou com tanto ódio que estou perdendo o controle.
– Levi, e se não for ela?
– Mas ele disse que é ela, vimos na carta também, nas assinaturas, é a mesma dos documentos dela, como pode não ser? Eu preciso entender o que está acontecendo, acho que ela é manipuladora e foi capaz de enganar ele até nisso, pois não tem explicação.
– Levi, você precisa parar, você vai se destruir com essa história, ela não está nem uma semana com você e olha o tanto que você está surtado.
– Eu vou ficar bem, eu te ligo depois. – Diz ele observando ela se aproximar do carro, ele desce abre o porta malas e ajuda-a com as sacolas. – Você precisa de mais alguma coisa?
– Não, podemos voltar.
– Você quer comprar um celular? Não fui eu quem pegou ele de você, seu pai te entregou sem nada.
– Você disse que eu não posso usar o notebook, vai confiar em me deixar com um celular? – Questiona ela, observando-o.
– Você não é uma prisioneira, você pode fazer o que quiser, espero que respeite o Sr. Keller.
– Falou o homem que o desrespeita o tempo todo.
– Eu já me desculpei com você, eu vou me entender com ele depois, então pare com isso, não me tire do sério, você quer a droga do celular?
– Sim, eu quero. – Responde ela com um leve sorriso, ele dirige e leva ela até uma loja da Apple.
Depois que ela escolhe o modelo de iPhone, Levi escolhe um notebook para o escritório, para repor o que ela quebrou e um monitor. Eles voltam para a casa de campo, ele ajuda ela a carregar suas compras e depois vai para o seu quarto e se tranca lá.

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