Kaira está em seu quarto, assim que termina de configurar o seu celular ela liga para sua amiga pelo Messenger, por chamada de vídeo.
– Amiga, estava pensando em você nesse momento, estou aqui na casa da Briana.
– Desculpa amiga, acabei chegando ontem e não colocando o celular no meio das roupas e minha mãe enviou no primeiro horário.
– Oi amigas! Sem problemas, Briana, o Sr. Schneider me comprou um celular mais cedo, meu marido vai reembolsar ele depois. Meu marido! – Repete ela desanimada. – Vocês têm noção de tudo que está acontecendo comigo? É surreal, eu não sei o que fazer!
– Amiga, você vai resolver, já conseguiu conversar com o seu marido?
– Não Lucy, o Sr. Schneider levou ele para a casa do centro durante a madrugada. Parece que ele decide tudo aqui, foi como te disse mais cedo, é como se ele fosse o meu dono, pois o Sr. Keller, só fica recluso. Quando ele retornou a casa, ele me pegou na ligação com o Flinn, ele foi tão atrevido, está exigindo respeito da minha parte, mas em todas as oportunidades me beija.
– O quê? – Questionam as duas juntas.
– Primeiro ele me beijou porque eu o chamei de gay e depois porque me ouviu falar que queria sentir os toques e beijos do Flinn, ele se sentiu no direito de tocar em mim por isso, alegando que ele pode resolver o meu problema, ele foi tão escroto, ele não me respeita e não respeita nem o homem para quem ele trabalha, ele é um homem horrível.
– Amiga, precisamos te contar outra coisa. – Diz Briana trocando olhares com Lucy. – No centro da cidade todos já comentam sobre você ser a esposa do Sr. Keller. – Kaira sacode a cabeça chateada com aquilo. – E sobre o ocorrido numa clínica ginecológica.
– Droga, como as pessoas nessa merda de cidade são fofoqueiras, por isso eu queria ir embora. Eu fui ao ginecologista, porque achei que aquele infeliz me tocou e ele seguiu negando, brigamos porque ele queria entrar no consultório junto e eu não permiti, então a polícia precisou ser acionada. – Diz ela baixando o olhar ao lembrar daquele momento, pelo constrangimento que ela sentiu.
– Amiga, diga que deu tudo certo?
– Sim, Lucy, ele não me estuprou. Ele é um abusado, um nojento, um escroto, mas ele não fez isso. – Diz ela aliviada. – Sabe o que é mais estranho, ele saiu do consultório, como se fosse outro homem, pediu desculpas por ter me tocado! E desde que chegamos ele está trancado em seu quarto.
– O que você está pretendendo fazer?
– Eu vou me divorciar Briana, eu não vou ficar presa nesse casamento, com um homem que não conheço, recebendo ordens de um maluco. Eu não sei o quanto esse homem é surtado, num momento está querendo me agarrar e no outro me pedindo desculpas, qual o próximo passo? Me bater ou me matar? Eu não quero ser uma pobre mulher indefesa, que fica à mercê na mão de um homem. – Enquanto fala com as amigas, ela vê Flinn ligar para ela pelo Messenger. – Meninas, mandei no chat meu novo número. Eu amo vocês, preciso atender o Flinn. – Diz ela desligando.
– Graças a Deus, consegui falar com você. Fiquei muito preocupado. Você está bem?
– Estou, não se preocupe. Eu vou cuidar de tudo.
– Aquele filho da puta é o seu marido?
– Não, o advogado dele, Levi Schneider.
– Certo, vou pesquisar sobre ele depois. Conseguiu o contrato e fez o exame toxicológico?
– Não, aconteceram algumas coisas, acabei não fazendo, vou pegar o contrato mais tarde.
– Você está de brincadeira? – Diz ele num tom elevado. – Isso é sério Kaira, qual o seu problema? Quer ficar brincando de casinha com esses filhos da putas.
– Para de gritar comigo, eu não preciso de outra pessoa gritando o tempo todo. – Diz ela irritada.
– Esse é um dos advogados, mas o que mora aqui na casa de campo é outro. O que o senhor Karps queria?
– Espera aí, você está me dizendo que está dividindo a casa com outro homem?
– Não estou dividindo a casa com ninguém, ele é responsável pelo Sr. Keller, então também mora aqui. O que o advogado queria aí em casa?
– Acho que ele veio pegar os teus documentos, algo assim.
– Vou verificar depois. Irmã, por que você não vem ficar uns dias aqui comigo? Até eu conseguir me divorciar. – Norabel fica em silêncio lembrando das vezes que esteve naquela casa.
– Eu não posso, as aulas já vão iniciar, você sabe que é o meu primeiro ano na faculdade, não posso abandonar tudo nesse momento.
– Venha num final de semana, por favor. Faça isso por mim irmãzinha.
– Está bem irmãzinha, eu farei, vou falar com a minha mãe, esse é seu novo número?
– Sim, você pode me ligar sempre que quiser. Você é a melhor irmã, eu te amo.
– Também te amo, te ligo para confirmar. – Diz Norabel desligando, ela começa a gargalhar e se joga na cama. – Vai sonhando sua ridícula, que eu vou ir para esse fim de mundo, ficar com você e essa aberração, por que ele não morre de uma vez? Na verdade, eu prefiro que ele faça um inferno da sua vida, que você tenha que sentir os toques asquerosos daquele monstro. – Conclui ela se divertindo com a desgraça da irmã.

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