— Deixa eu ver... à noite a gente faz tiras de carne com pimenta, asa de frango ao molho, camarão salteado com um toque de limão, e mais dois legumes.
— Um que a Denise mais gosta, couve refogada com alho, e outro que eu quero comer: ovos mexidos com tomate.
Ela simplesmente “fez o pedido”. Denise ouviu os pratos de que gostava e bateu palmas.
— Uau! Vai ficar uma delícia!
— São pratos bem simples. Dá conta?
Lúcia levantou os olhos. Não sabia quando, mas Antônio já tinha se aproximado, a distância entre os dois não era maior que um palmo.
O perfume discreto e elegante dele invadiu o ar que ela respirava.
— Dá. — Antônio assentiu. — Se você quer que eu faça, eu faço.
A fala tão perto do rosto dela fez os cílios de Lúcia tremerem. Por um segundo, ela ficou sem palavras.
Aquilo era só uma provocação. No plano dela, ele deveria recusar.
Antônio continuou a encará-la. De frente um para o outro, a temperatura pareceu subir depressa. Alguns segundos depois, Lúcia voltou a si e se afastou, passando ao lado dele.
— Ótimo. Então a cozinha é sua.
— ...
Lúcia saiu da cozinha a passos rápidos, e a mente logo se aquietou.
Era a segunda vez.
Ele a deixava com a cabeça em branco, quase a empurrava para um lugar confuso.
A primeira tinha sido na passarela, quando Antônio a ergueu nos braços.
Com Antônio, ela não devia ter reação nenhuma — ouvir mais uma frase dele já seria se rebaixar.
Depois de se advertir, Lúcia levou Denise para o quarto.
Enquanto esperavam a comida, Lúcia jogou um pouco com a filha.
Embora aquele apartamento tivesse sido montado para Lúcia, ela tinha comprado um videogame que Denise gostava e também os jogos recém-lançados.
Só que, quando se mudara, Lúcia nunca imaginara que voltaria a jogar ali com a filha.
A luz da tela deixava o rostinho de Denise vivo, cintilante, as feições finas e doces pareciam ainda mais cheias de espírito.

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