— Heloísa... — Ele passa a mão no rosto, o gesto clássico de quem está tentando processar uma informação absurda vinda de uma criança. — Isso é brincadeira, não é? Alguma aposta com as suas amigas?
— Não — respondo, sentindo meu rosto queimar em um tom de vermelho que nenhum blush conseguiria imitar. — Não é brincadeira.
Ele me olha como se eu tivesse quebrado a lei da gravidade. Ou, pior, como se eu tivesse acabado de fazer uma cena em um restaurante chique.
— Você tem quantos anos mesmo? — ele pergunta, ainda com aquele risinho condescendente que me dá vontade de gritar. — Vinte?
— Vinte.
— Meu Deus... — Ele balança a cabeça, e o brilho de diversão nos olhos dele é a coisa mais dolorosa que já vi. — Você é praticamente uma criança, Helô.
Aquilo dói mais do que um "não". Dói porque é um descarte completo da minha existência como mulher.
— Criança? Eu não sou criança, Heitor. Eu sei exatamente o que eu quero.
— É sim — ele diz, agora com aquele tom de voz que se usa para acalmar um Golden retriver agitado. — E isso que você está sentindo é apenas confusão. Admiração projetada. Uma paixão passageira que você vai esquecer na próxima festa da faculdade.
— Não é — insisto, a voz começando a tremer. — Eu sei o que eu sinto.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: No Limite do Desejo