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No Limite do Desejo romance Capítulo 5

A porta se abre, e a casa se enche de vozes.

— Heloísa!

A voz do meu pai vem primeiro, carregada, forte, cheia daquela alegria que sempre me desmonta. Eu me levanto no mesmo instante.

— Pai.

Ele larga a pasta no chão antes mesmo de fechar a porta e cruza a sala em três passos largos. O abraço vem apertado, inteiro, daqueles que esmagam costelas e fazem o mundo caber ali dentro por alguns segundos.

— Minha filha… — ele diz baixo, a voz embargando só um pouco. — Finalmente em casa.

Fecho os olhos por um instante. O cheiro dele — colônia conhecida, segurança, infância — me envolve. Não há cálculo aqui. Não há jogo. Só pertencimento.

— Eu senti falta disso — confesso.

Ele se afasta um pouco, segura meu rosto entre as mãos, me examina como se quisesse garantir que estou inteira.

— Você está linda — declara, com orgulho explícito. — Mais forte. Mais você.

Minha mãe surge logo atrás, os olhos já marejados.

— Não faz isso, Carlos, eu ainda nem abracei — reclama, puxando-me para si em seguida.

O abraço dela é diferente. Mais suave. Cheio de cuidado.

— Como foi a viagem, meu amor? — pergunta, alisando meu cabelo como se eu ainda tivesse quinze anos.

— Foi tranquila — respondo, sorrindo. — Trânsito bom, estrada vazia… cheguei bem.

— Graças a Deus — ela suspira, aliviada. — Eu fico tensa com estrada.

Heitor observa a cena a alguns passos de distância. Silencioso. Presente demais. Invisível demais para alguém que claramente sente que não pertence totalmente àquele núcleo.

— Heitor veio te receber — meu pai comenta, passando o braço pelos ombros dele com a confiança de uma amizade de décadas. — Disse que não ia deixar a casa vazia no seu primeiro dia. Esse rapaz é um irmão para mim, Heloísa.

Irmão. A palavra vibra no ar como uma nota desafinada. Eu vejo o maxilar de Heitor travar. O "irmão" do meu pai está olhando para a filha dele como se quisesse devorá-la e protegê-la ao mesmo tempo.

— Foi muita gentileza — respondo, e deixo que a palavra "gentileza" soe tão fria quanto o gelo em um copo de uísque.

— Vamos jantar? — minha mãe interrompe, sentindo a mudança na pressão atmosférica, embora não saiba a causa. — Eu já deixei o banquete pronto.

—Sim, eu já esquentei a lasanha, e as carnes.

—Deve ter arroz na geladeira também. Vou esquentar.

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