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Noah: Uma segunda chance para o amor romance O Luto

Oníria...

Um mundo que eu não sabia que existia até ser sequestrada por criaturas que eu pensava serem apenas ficção.

Eu sou Carolina Medeiros, vinte e seis anos, doutora em biotecnologia, QI de 170, com total inaptidão para socialização.

O meu lugar era em um laboratório, cercada por pipetas e microscópios, não em uma cela abandonada com um lobisomem alfa me encarando como se eu fosse o próximo pratinho do jantar.

O som da porta trancando por fora me causou um frio na espinha. Eu já tinha sentido medo antes, mas nunca tão forte quanto naquele momento. Desde que cheguei neste mundo, trabalhei incansavelmente para encontrar a cura e a vacina para uma doença que acometia a mesma espécie que me tirou do meu mundo.

Acreditei que conseguiria me libertar, fugir desses monstros, especialmente no dia de hoje, em que haveria uma grande festa no território vizinho. No entanto, antes que eu conseguisse por o meu plano de fuga em prática, fui arrastada até aqui.

Parada diante de um lobisomem que estava perdendo a sanidade, me dividia entre o interesse científico na condição daquele espécime e a necessidade de fugir para um lugar seguro.

Ele rosnava e babava, grunhindo de dor enquanto o corpo convulsionava de uma forma nada agradável. Pelos se formavam, pele se soltava da carne, ossos se contorciam e partiam em pedaços antes de retrocederem à forma anterior. Ele estava agonizando e eu não conseguia conter o ímpeto de me aproximar para examinar melhor.

Por um breve momento, os nossos olhares se encontraram e vislumbrei um resquício de humanidade em sua forma distorcida.

Os seus olhos, vermelhos como brasas, se suavizaram ao notarem a minha presença. Talvez fosse apenas impressão minha, mas o meu coração apertou. Era como assistir a um cachorrinho agonizar... Um cachorrinho enorme, com dentes afiados que facilmente estraçalhariam a minha carne.

Ele se contorceu novamente de dor, se encolhendo. Uma criatura enorme reduzida a... não sei dizer, mas não senti mais medo. Me aproximei mais ao notar a mancha escura que ele tinha na barriga, como se tivesse levado muitos socos em torno do umbigo. Curiosa e, confesso, um pouco preocupada com a razão daquele sofrimento, estendi a mão instintivamente e toquei a sua pele. Estava febril, escorregadia pelo sangue, mas no instante que o toquei, o monstro gemeu e lágrimas escorreram de seus olhos assustadoramente rubros.

Quando tentei me afastar, ele rosnou e me mostrou os dentes, segurando a minha mão com as suas garras e me forçando a manter contato.

— Fale mais, humana! — Ele ordenou.

Eu tinha apenas perguntado como ele estava, pergunta tola, era óbvio que não estava bem. O que deveria dizer a um monstro que estava enlouquecendo? Olhei para a porta trancada e a criatura que me forçou a entrar ainda não tinha voltado.

— O que quer que eu diga, alfa Noah? — perguntei, tentando manter a voz firme.

— Argh... apenas fale! — ele respondeu, sua voz trêmula.

Respirei fundo, fechei os olhos, e comecei a falar qualquer coisa que vinha à minha mente.

O Luto 1

O Luto 2

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