— Quem diabos é você? Tá achando que pode roubar alguém de mim? — Felipe Barbosa apontou com o dedo para o outro lado.
Samuel Oliveira lançou um olhar frio para a pessoa em seus braços, deu um leve tapinha em sua cabeça e a colocou atrás de si, protegendo-a. Seus olhos brilhantes varreram o grupo à frente com um desprezo gelado.
As luzes coloridas do bar iluminavam Samuel de um jeito quase hipnótico, como se ele próprio fosse uma promessa perigosa na noite.
Com um gesto lento, Samuel afrouxou a gravata no pescoço, desabotoou o colarinho e caminhou até Felipe, desferindo-lhe um chute certeiro no peito.
O golpe foi tão forte quanto um soco de marreta, arremessando Felipe para longe. Ele sentiu, por um instante, que seus órgãos internos haviam mudado de lugar.
— Felipe! — Os dois amigos que o acompanhavam despertaram parcialmente da embriaguez ao ver a cena. — Maldito! Você bateu no Felipe!
Tentaram partir para cima de Samuel juntos, esperando vingar o amigo com a vantagem numérica. Mas não conseguiram nem encostar na roupa dele: bastaram dois socos rápidos, um de cada lado, e ambos desabaram inconscientes.
Samuel arregaçou as mangas da camisa, arrancou a gravata e a enrolou na mão, aproximando-se de Felipe. Com um movimento calculado, pisou no rosto ensanguentado do outro, agachando-se e inclinando o corpo para frente.
— Quer saber quem eu sou? — Um sorriso arrogante curvou seus lábios. — Eu sou seu pai.
Felipe, atordoado pelo chute, finalmente conseguiu reagir, explodindo em xingamentos:
— Seu desgraçado, como ousa me bater? Você faz ideia de quem eu sou?
— Se eu sou seu pai, você é meu filho. Filho malcriado é culpa do pai, então a culpa é minha. Fique tranquilo, hoje o papai vai te ensinar a ser gente.
Antes que Felipe pudesse responder, o punho de Samuel já descia em direção ao seu rosto.
Felipe gritou desesperado, pedindo socorro, mas em poucos golpes seu rosto estava coberto de sangue, a boca cheia de dentes partidos.
Os seguranças, que conheciam Samuel, temendo que a situação descambasse para algo pior, correram para dentro do bar e chamaram Henrique Dourado e José Matos.
Quando os dois apareceram, viram uma jovem se atirando para segurar o braço de Samuel — quase sendo derrubada por ele no impulso.
No chão, Felipe jazia coberto de sangue, numa posição que deixava dúvidas se ainda estava vivo.
Henrique bateu na própria coxa, alarmado:
— Que tragédia, quem foi mexer com esse cara?
Ao se aproximar, arregalou os olhos, surpreso:
— Ju?
— Henrique, liga pro SAMU! — disse a jovem, tentando tirar a gravata da mão de Samuel para ver se ele estava ferido, mas ele se afastou rapidamente.
— Presidente Samuel...
— Vai me chamar de Henrique, mas pra ele é Presidente Samuel?
— Hã?

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