Celeste olhou para lá.
Dulce virava as páginas de um documento, sem sequer erguer a cabeça.
O tom de voz soou extremamente natural e autoritário.
Kesia, que estava sentada mais ao fundo, levantou-se rapidamente:
— Deixe que eu distribuo.
Foi só então que Dulce olhou para ela com um sorriso gentil:
— O chá está mais perto da Celeste, e todos estão tão ocupados discutindo. Notei que a Celeste não estava entendendo os argumentos de ninguém, então pensei que ajudando ela teria algum senso de participação.
Celeste ficou perplexa por um instante.
Eu?
Não estava entendendo?
Ela não tinha ideia de onde Dulce havia tirado tal conclusão.
Mas ao olhar para trás, percebeu que, sem saber quando, embalagens de bebida quente haviam sido deixadas atrás dela, perfeitamente ao alcance das suas mãos.
Todos viraram-se para observar.
Celeste, é claro, sabia que Dulce a estava fazendo de serva.
Mas, como o ato beneficiava a todos os presentes e não apenas a Dulce, se ela bancasse a difícil e recusasse, pareceria que estava problematizando tudo.
Às vezes ela se via obrigada a admitir: quando o assunto era o trato social, Dulce sabia muito bem o que fazia.
David virou a cabeça e interveio:
— Cada um pode se servir sozinho.
Celeste não hesitou e levantou-se:
— Continuem a discussão, vai ser bom para mim me alongar um pouco.
Os alvos discutidos na reunião já haviam sido muito bem estudados por ela; não eram de forma alguma difíceis.
Para ela, conseguir avançar e acelerar o progresso do projeto era a prioridade.
Kesia e os outros olharam para Celeste com gratidão:
— Obrigada, Celeste.
Celeste retribuiu o sorriso.
Ela então abaixou a cabeça, observando os copos da bebida.
Servir chá preto com limão logo de manhã cedo? Ela achava que seria um café para despertar.
Será que...
Celeste não pôde deixar de franzir a testa, lançando um olhar desconfiado para Gregório, que estava de olhos baixos, lendo uma proposta.
A equipe da Universidade Imperial aceitou o chá oferecido por ela, virando-se para olhar para Dulce e Gregório:
— Graças à generosidade da veterana. Mas por que chá preto com limão?
Dulce então abriu um sorriso encantador:
— Eu peguei um resfriado, ontem estava com uma leve indisposição. Gregório teve medo de que eu tomasse uma bebida gelada, então não pediu café. Este chá faz muito bem, vocês podem experimentar.
— Como o Diretor Souza é atencioso!
Outra onda de suspiros invejosos.
Celeste permaneceu tão calma que sequer se surpreendeu.
Mas, pensando bem, fazia sentido.
Por que diabos Gregório se lembraria do ciclo menstrual dela.
— Ninguém a culpa por não conseguir acompanhar o andamento da reunião, mas não consegue sequer fazer um trabalho tão banal? Como é que você pode se responsabilizar por isso?
Aquele tom acusatório.
Esbanjava uma arrogância e presunção, parecendo perfeitamente a esposa legítima defendendo a honra de seu lar.
A paciência de Celeste se esgotou:
— Pergunte a ele que responsabilidade quer que eu assuma.
Enquanto o divórcio não saía, ela estava doida para ver que tipo de punição achavam que ela merecia!
O desprazer floresceu no fundo dos olhos de Dulce.
Celeste estava se exibindo para ela como se quisesse lembrá-la do seu lugar como a verdadeira Sra. Souza?
Que cena mais patética!
— Ninguém quis que isso acontecesse. O problema foi do fornecedor que não fechou bem as tampas, não é? A Celeste estava apenas fazendo um favor, não era obrigação dela. Sem mencionar que foi o Diretor Souza quem decidiu bloquear o impacto, não há necessidade desse escândalo todo da Sra. Alves. — A face de David também esfriou.
Desde quando a amante se dava ao luxo de brigar por poder contra a esposa legítima?
Ao ouvir essas palavras.
Dulce não conseguiu evitar que as suas sobrancelhas se contraíssem ainda mais.
Como se as ações de Gregório revelassem muita preocupação por Celeste!
Um desconforto a invadiu.
Logo, também veio o desgosto.
Foi quando alguém do lado da Universidade Imperial percebeu o climão e tentou amenizar:
— Mas a gente entende; pelo ângulo, também corria o risco de pegar na veterana, não é? O Diretor Souza devia estar preocupado que a veterana fosse atingida pelo líquido escaldante.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Nosso Casamento Tinha Prazo
Gregório tem que sofrer correndo atrás da Celeste pra aprender uma lição 😒...
Passou da hora da Dulce quebrar a cara e Gregório ver a burrada que fez, dando apoio total para o chupim Dulce...
Quero ver se a autora vai dar um final feliz para esse embuste do Gregório. Quero ele sofra horrores e acabei na sargenta....
Não aguento mais ver a Celeste passar por tanta humilhação. Alguém quebre as pernas do Gregório, por favor; mesmo que tenha um motivo para ele agir assim, já passou dos limites. Fora que demora demais a atualização, por parte do autor....
Seria muito bom ela encontrar a família e não querer esse Gregório...
Até quando Gregório vai financiar a amante e menosprezar a ex esposas? Passou da hora da amante e Gregório caírem com a cara no chão...
Ela repete o mesmos pensamentos várias vezes. E o mais incrível u.a é prisioneiro e o outro é livre, no final ele teve um motivo muito importante para agir assim e vai querer compensar tudo....
Essa personagem é humilhada apor bens materiais....
Eu adoro histórias assim que a autora humilha a personagem principal por todo história para no final o homem estar apenas sendo enganado ou protegendo ela e acaba perdoado, ainda d põem alguém da família pra ajudar na humilhação, fica o romance perfeito!...
Pq esse tipo de história não da um pouco de amor próprio a mulher e ela encontra alguém q realmente a valoriza??? Só mostra que a mulher não se da o valor, mesmo depois de humilhada ela volta com o cara. Ridículo...