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Nosso Casamento Tinha Prazo romance Capítulo 55

O rosto de Juliana se transformou na hora.

Seu instinto inicial foi começar a xingar, mas olhou para a expressão de Celeste, temendo que a amiga sofresse ainda mais com aquela provocação.

No entanto, Celeste não perdeu a calma.

Porque as palavras de Dulce não eram vazias; elas se sustentavam em fatos reais.

O que mais ela poderia dizer?

Concordar? Rebater? Negar? Insultar?

Qualquer uma dessas reações apenas faria com que ela parecesse ainda mais patética.

Celeste puxou Juliana e as duas foram embora.

Urbano se aproximou de Dulce:

— Espero que a Celeste finalmente entenda. Ocupar um lugar que não lhe pertence é uma tortura para os outros e para si mesma.

Dulce ergueu uma das sobrancelhas.

Na opinião dela.

Se Celeste tivesse o mínimo de amor-próprio, deveria aceitar o divórcio e ir embora de cabeça baixa. Abrir o caminho para os outros seria uma forma de acumular algum carma positivo para si mesma.

Afinal, atrapalhar o amor verdadeiro de alguém era um pecado que nem os céus perdoariam.

-

Aquele passeio de Juliana havia lhe rendido uma raiva descomunal.

Ela podia sentir a impotência e a frustração de Celeste.

Se o marido de Celeste não fosse um homem tão poderoso e influente como Gregório, ela teria força suficiente para virar a mesa.

Mas a realidade era implacável.

Celeste era obrigada a pensar no futuro, e o preço de ser inconsequente era alto demais.

— Aquele sorriso triunfante daquela vagabunda! Acho que vou precisar de um calmante forte para o coração. — Juliana estava fumaçando de ódio com a última frase dita por Dulce.

Se o assassinato não fosse crime, ela realmente teria vontade de pisar no acelerador e passar por cima dela.

— Meu arrependimento agora é não ter estudado Direito. Se eu estivesse no poder, mudaria a lei na hora. Adicionaria um artigo dizendo que qualquer amante que se mete no relacionamento dos outros deve ser preso! Se não houver uma punição dura da lei, esse tipo de gente vai continuar agindo sem o menor escrúpulo!

Após tudo o que passara, Celeste sentia-se exausta.

Mas ela ainda conseguiu erguer o polegar:

— Eu apoio a sua candidatura a prefeita da Cidade Imperial, para você poder mandar essa gente para o paredão todos os dias.

Juliana fez um bico:

— Só você mesma para conseguir rir numa situação dessas.

Celeste ergueu a cabeça, olhando para o céu.

— A vida é longa demais. Ficar presa no sofrimento sem conseguir sair é apenas uma forma de autopunição. O que eu não consigo entender, prefiro nem tentar pensar.

— Precisa de alguma coisa?

Na noite anterior, Gregório não havia dormido ali. E voltar agora, sabendo que ela estava presente, não lhe parecia o comportamento de um homem disposto a pedir desculpas pelo constrangimento que causara a favor de Dulce.

Afinal, a postura dele já estava tão escancarada que ele nem sequer se dava ao trabalho de lhe dar qualquer explicação.

Por que ele se importaria com os sentimentos dela?

Gregório atirou o paletó sobre o encosto do sofá, de forma casual:

— Esta noite, eu durmo aqui.

O semblante de Celeste se transformou de imediato:

— Por quê?

— Celeste, nós somos marido e mulher. — Percebendo a surpresa dela, Gregório lançou o lembrete enquanto se virava para se servir de água.

Ele dormir ali não exigia qualquer tipo de justificativa.

Ouvir aquelas palavras deu a Celeste uma sensação grotesca de contradição.

Marido e mulher?

Então ele sabia disso?

E quando ele fez todas aquelas cenas públicas de afeto com Dulce, será que chegou a pensar que eles ainda não haviam assinado os papéis do divórcio e que continuavam casados?

Era nítido: para esse tipo de homem, as regras eram impiedosamente autoritárias e carregadas de um duplo padrão que beirava o ridículo.

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