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Nosso Casamento Tinha Prazo romance Capítulo 671

A coisa que Celeste mais detestava era quando Dulce abria a boca para falar de Laura.

Aquilo lhe causava asco e ódio profundo. É claro que ela sabia o que se passava na cabeça de Dulce. Afinal, uma mulher que um dia fora uma princesa mimada, acostumada a ser idolatrada por todos, agora parecia uma prisioneira. Dava para imaginar facilmente o nível da sua dor interior.

Mas...

— O que a vida ou a morte de vocês duas tem a ver comigo? — Celeste reprimiu o impulso de bater naquela mulher sem-vergonha, com o olhar gélido.

— Minha mãe ainda está deitada num hospital, dependendo de soro e aparelhos para viver. Por que os culpados puderam viver uma vida boa por tantos anos? Agora, vocês já aproveitaram o bastante, não acham?

— Celeste! Você está indo longe demais! Não tenho mais nada, o que mais você quer?! Eu tenho um filho para criar, você também é mãe, como pode ser tão perversa? — gritou Dulce, tomada pelo pavor.

— E quanto a mim no passado? — rebateu Celeste asperamente.

— A minha mãe não me tinha para criar naquela época? A sua mãe sentiu pena de nós? Você viveu uma vida de luxo de uma garotinha rica à custa do sofrimento da minha mãe. Com que moral você se atreve a me pedir algo?

As palavras de Celeste eram precisas, cada sílaba soava como uma facada afiada.

Fazendo o rosto de Dulce alternar entre o pálido e o arroxeado de vergonha e raiva.

— Ninguém comete um crime sem pagar o preço. Eu irei até o fim com isso. Vocês que aguentem as consequências! — Celeste apertou os punhos, a dor a deixando ainda mais lúcida, pronunciando cada palavra pausadamente.

Ela passou por Dulce, que estava caída de joelhos, e seguiu firme em direção à rua.

Dulce ficou completamente sem chão.

Sua mente era um caos absoluto.

Naquele momento, o que... o que diabos ela deveria fazer?

Como reverter a situação? Como conseguir pelo menos um momento para respirar?

-

Depois de sair, Celeste se deu conta de que viera na viatura policial e agora precisaria pegar um táxi para voltar. A região era bem deserta, e ela teria que caminhar mais de um quilômetro até encontrar um local onde pudesse chamar um carro.

Ela andou por um tempo.

O fato de ele ainda mantê-lo pendurado ali a deixou um pouco incerta.

Seria porque ele não havia superado o passado, ou simplesmente não se importava com um objeto tão banal após o rompimento deles?

— O que realmente aconteceu em toda essa história? — Celeste desviou o olhar e foi direto ao assunto.

— Descobri por acaso. — Gregório mantinha os olhos na estrada.

— Como assim?

— Lembra de quando eu comprei a loja de antiguidades das mãos do Gilmar? — Ele virou o rosto rapidamente para olhá-la. — A loja da Família Lopes foi roubada da sua mãe por meios ilícitos, então era inevitável que ele precisasse forjar muitos carimbos e documentos. No início, quando assumi a loja, ele enrolou bastante para me entregar a documentação, justamente porque não estava legalizado. Depois...

Ele cerrou os olhos levemente.

Foi durante aquele evento de doação de caridade de antiguidades para Dulce que Gilmar se viu obrigado a regularizar a papelada.

— Ele teve a loja sob seu controle por muitos anos, fazendo diversas operações obscuras, com muitos canais no exterior. Como os registros da loja não foram apagados direito, uma coisa levou à outra. Acabei descobrindo que a data em que ele forjou os documentos foi exatamente um dia antes do acidente da sua mãe. Se ele sabia, na véspera, que a loja seria dele, a veracidade do acidente naturalmente se tornava suspeita.

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