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Nosso Casamento Tinha Prazo romance Capítulo 675

Celeste Lopes ficou atônita por um bom tempo.

— ... Meu?

Ela queria se informar para dar uma resposta a Vitória Barbosa e, depois, ajudá-la a perguntar se poderiam vender para a Família Vargas.

Mas nunca imaginou que receberia uma resposta daquelas.

Sua infância fora conturbada, com poucos momentos felizes, tanto que, após seus traumas, mal se lembrava do que havia acontecido antes de certa idade.

— Você sempre foi travessa e brincalhona desde pequena — murmurou Otávio Lopes, com um brilho intenso no olhar, como se lembrasse de algo distante. — A Edna tinha medo de que você quebrasse o jade de tanto subir e descer das coisas, então guardou-o temporariamente. Como você ainda era pequena e não pegava bem deixar na Família Alves, a peça ficou lá na loja da nossa família. O seu pai... nunca foi de confiança.

A voz do idoso soava fraca e distante.

Seus pensamentos claramente vagavam longe.

As palavras saíam desconexas, pulando de um assunto para outro.

O coração de Celeste ribombava como um trovão.

Ela estava apavorada.

Seus batimentos cardíacos perderam o ritmo em um instante.

Aquele pensamento gritava loucamente em sua mente, impossível de ser contido.

Ela e a Família Vargas...

— E a Edna? Por que ela não vem me ver? — O assunto mudou bruscamente, pois Otávio raramente tinha momentos de lucidez.

Essa frase arrancou Celeste instantaneamente daquela suspeita incerta.

Ela encontrou o olhar saudoso do avô. Ele estava confuso, incapaz de lembrar para onde sua filha havia ido, sabendo apenas que não via Edna Lopes há muito tempo e sentia sua falta.

Os olhos de Celeste marejaram.

— Minha mãe está muito ocupada, o senhor sabe como ela é viciada em trabalho. Ela vem num outro dia, está bem? — ela se apressou em dizer.

— Acho que sim... — respondeu Otávio, desanimado.

Depois de sair da suíte, Celeste ficou sentada no corredor por um longo tempo.

Sua mente estava um caos.

Eram coisas demais acontecendo ultimamente.

— Você não precisa se dar a esse trabalho. Nós já nos divorciamos e eu não quero ficar te devendo favores. Se você parar de vir, meu avô não vai sentir tanta a sua falta e assim não será um peso para ele — disse ela, seriamente, sem se importar muito.

Afinal, eles já estavam divorciados.

O avô não sabia de nada.

Se ele continuasse a visitá-lo, isso apenas aumentaria infinitamente as expectativas do idoso.

— Só porque nos divorciamos não podemos conviver de forma normal? Todos os laços e relacionamentos precisam ser completamente cortados? — questionou Gregório.

— E como seria, então?

— Você é realmente muito racional e fria — avaliou Gregório.

Não se notava nenhuma ironia em seu tom, mas a frase soava de alguma forma ambígua.

Celeste não tinha vontade de bater boca com ele.

— Afinal, tanto você quanto eu vamos formar novas famílias no futuro. Não há necessidade de prolongar isso. Nem mesmo as visitas ao meu avô são necessárias; isso não é sua responsabilidade. Pela mesma lógica, eu também não vou fazer questão de procurar seus avós — disse ela, levantando-se de imediato.

Ela era assim, sempre direta ao falar.

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