Entrar Via

Nosso Casamento Tinha Prazo romance Capítulo 702

Ao ver que ela já tinha perdido a paciência, Gregório fechou os olhos e, finalmente, disse algo sensato de forma pausada.

Celeste travou na hora.

Gregório ignorou a expressão dela. Provavelmente devido à dor e ao desconforto, continuou com os olhos fechados: — Se algo acontecesse com a Laura, eu não duvido de que você tomaria atitudes extremas. Ela é a sua vida.

Celeste perguntou por instinto: — E então?

Ele abriu os olhos mais uma vez, afirmando com muita autoconsciência: — Eu acredito que você deve me odiar profundamente. Se eu tivesse morrido, você se sentiria vingada. Como não morri, o que você sente?

— Não é para tanto. — Celeste respondeu: — Só existe ódio onde há amor. Você acha que ainda temos algum desses sentimentos? O que acontece com você não causa nenhum impacto na minha vida.

Mas Celeste de fato já o havia odiado.

Odiou sua frieza, odiou o fato de ele não amá-la, odiou por ele nunca lhe dar esperanças.

Desde o início, ele nunca permitiu que ela depositasse nele qualquer pingo de esperança ou dependência.

A tal ponto que,

quando terminaram, ela conseguiu se ajustar rapidamente, sem parecer ter perdido metade da própria vida. Até mesmo a vida ou a morte dele não lhe causavam a menor dor.

E isso tudo era graças à falta de amor constante que Gregório demonstrara por sete anos, provando a ela repetidas vezes que ele não valia a pena, que ela não devia continuar sofrendo por ele. Ele lhe deu a determinação de cair fora, a clareza de que deveria deixá-lo e buscar uma vida melhor.

Ela tinha que admitir.

Ela deveria até ser grata pela insensibilidade absoluta de Gregório.

Assim, ela não tinha mais nenhuma esperança ilusória e pôde ir embora sem olhar para trás.

Gregório pareceu não ser afetado por aquelas palavras.

Ele disse friamente: — Que seja assim, então.

Aquele Que seja assim, então parecia um alívio por ela não pretender perturbá-lo.

Ela imediatamente declarou: — Não se preocupe. Eu jamais ficaria atrás de você implorando por atenção.

Desta vez, Gregório não respondeu.

Celeste, percebendo que ele não pretendia jogar as cartas na mesa sobre Laura, foi aos poucos reprimindo suas suspeitas e sua insegurança.

— De qualquer forma, o fato é que você salvou a minha filha. E o fato é que você se machucou por isso. Eu sei que essa dívida não pode ser paga facilmente. Pode pedir o que quiser, eu vou retribuir esse favor.

Ele olhou para ela: — O que você acha que me falta e o que você poderia me dar?

Ainda que Laura fosse filha de Gregório, agora havia uma linha clara dividindo-os. Pelo menos publicamente, Laura era vista como filha dela e de Vinicius. Aos olhos de qualquer um, isso não era um assunto no qual Gregório devesse se intrometer.

Aos olhos de qualquer um, Gregório era o salvador.

Ela não agiria de maneira irracional revelando a verdade.

Afinal de contas,

a sua própria origem era conturbada. Nenhum dos dois, tanto o pai biológico quanto o de criação, jamais havia lhe demonstrado um amor paternal capaz de sacrifícios.

Por isso, apenas suspirou fundo: — Negócio fechado.

Vendo que ela parecia relutante, Gregório fez vista grossa e perguntou de repente: — Sabe o que teria acontecido hoje se não houvesse esse incidente?

— O quê?

Ele fechou os olhos devagar, a voz tranquila, sem demonstrar emoção: — Vinicius havia preparado uma cerimônia de pedido de casamento para você. Ao que parece, os planos não acompanharam as mudanças. E, ao que parece, faltou destino entre vocês dois.

Ele não tinha a menor intenção de esconder aquilo.

Ele fez questão de deixar tudo muito claro.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Nosso Casamento Tinha Prazo