Nosso Passado Capítulo Quatro - 1

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Parte 1...

Ela dormiu, mas não foi um sono tranquilo. Foi cheio de lembranças em forma de sonhos.

Acordou com a luz do sol que entrava no quarto. Tinha deixado a cortina aberta. Ela suspirou e se espreguiçou. Ainda tinha tempo antes de precisar levantar para pegar o ônibus.

Afofou o travesseiro com a fronha cor de rosa feita pela avó e ficou pensando no passado e no que a trazia até ali. Mais do que a compra da empresa, era sim uma vingança de um coração ferido.

E quem poderia mesmo dizer que ela não tinha razão em aproveitar a chance e devolver na mesma moeda?

Quando chegava na fronteira da cidade ela olhou pela janela do ônibus e viu o portal que marcava a entrada e saída da cidade e isso lhe causou uma sensação diferente.

Ela se fechou para a dor que Mathias lhe causou e ficou firme. Olhou para a frente e respirou fundo, fazendo uma oração mental para que Deus a ajudasse, pois estava sozinha no mundo agora.

Estava com muito medo do futuro, mas não podia voltar e causar uma decepção maior para a avó. Se ela fosse presa a avó ficaria tão deprimida que poderia até ficar deprimida e acabar ficando doente. Ou até pior.

Quem poderia saber ao certo na época, foram tantas coisas que passaram por sua mente. Só queria acabar com os problemas e evitar mais sofrimento.

As palavras de Mathias queimavam seus ouvidos, ainda podia ouvir cada uma. Ela tinha poucas coisas e pouco dinheiro. Ainda assim foi necessário sair.

Luiza a ofendera muito e as ameaças eram fortes. Era uma mulher de poder. Pisara em seus sentimentos e depois tinha lhe dado um envelope com um bolo de dinheiro. Mas ela nunca nem chegou a saber quanto tinha dentro.

Ao passar correndo pela porta da frente, ela jogou o envelope com força no chão e saiu sem olhar para trás. Só não queria mais estar ali.

Ela foi muito ingênua e burra por esperar que ele fosse atrás dela. Mathias nunca foi.

Durante a hora em que ficou esperando para embarcar no terminal lotado e barulhento, puxando uma mala velha e uma mochila nas costas, ela ainda ficou olhando para a rampa de entrada, esperando que ele surgisse e pedisse que ficasse.

saiu e ela nunca o viu. Não se importava

Chegou em Aracaju e desceu em um terminal novo e desconhecido. Tudo o que ela tinha era só o endereço que a avó lhe dera em um papel, de uma velha amiga que era freira e que morava ali há muito tempo.

Camélia trabalhava em uma casa para moças mantida pela igreja católica. Não tinha um número de telefone, apenas o endereço. Ela pediu informação de como chegar até lá no balcão de informações da rodoviária.

duas pistas movimentadas da avenida e foi pegar um ônibus municipal até onde a moça do balcão havia indicado. Estava cansada, porém ir de táxi seria caro e não tinha condições de gastar sem saber o que viria depois.

sua conta do banco havia só o pouco que ela poupara com os trabalhos que fazia e com o emprego

ao local e foi até a sala do responsável. Foi bom e ruim ao mesmo tempo. O bom é que eles tinham vaga para ela ficar, porém o ruim é que ela não poderia ficar mais de seis meses ali. Havia uma rotação de lugares para que mais pessoas pudessem ser atendidas, contando que cada um depois seguisse seu

se organizar e conseguir um trabalho e um local de moradia

passou as duas primeiras semanas entorpecida pelos acontecimentos, chorando e se lamentando praticamente o dia inteiro, em um início de

certeza as pessoas a achavam louca ou tinham pena dela. Não sabia direito o que pensavam porque pouco se enturmou e falava mais com Camélia, que seguro tinha pena de seu infortúnio. E pelo menos ela não a julgou e a tratava muito

um tempo ela tinha medo de que a polícia aparecesse de repente e a qualquer momento a levasse presa a mando da família Mazzaro. Não sabia o que pensar e nem o que estaria acontecendo na cidade após sua