Nosso Passado Capítulo Quatro - 2

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Parte 2...

Ligou para a avó certa vez para saber como estavam as coisas e ela lhe disse que não voltasse. Luiza tinha aparecido em sua casa com ameaças e Márcia encontrou com ela na rua e aproveitou para dizer que o irmão estava entrando com um processo contra ela por roubo. E às vezes durante a noite o telefone tocava e ninguém dizia nada do outro lado.

Ela não poderia mesmo voltar. As ameaças continuavam.

O tempo foi passando. Ela foi até o endereço que Camélia havia lhe dado e já tinham contratado outra pessoa no dia anterior. Mesmo desanimada ela seguiu no dia seguinte para o segundo endereço, mas antes de chegar até lá, a mão divina interviu e sua vida começou a mudar.

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Fazia calor. Era final de tarde, mas o ar estava carregado, parecendo que em breve choveria. Ela comprou um copinho de água mineral em um trailer e sentou em um banco da praça para descansar os pés.

Não se sentia bem. Sua pulsação estava rápida e sentia uma leve tontura. Bebeu um gole e fechou os olhos, sentindo o mundo girar. Sabia que estava caindo, mas não chegou a sentir o baque no chão, como seria esperado.

Piscou várias vezes para focar os olhos em algo. A sombra à sua frente foi ganhando forma e quando sua visão clareou ela o viu. O rosto preocupado de um homem que a segurava com cuidado.

O cabelo muito loiro, quase branco. Nariz comprido, boca grande de lábios bem feitos e um par de olhos esmeralda que a observavam com curiosidade.

— Você está bem? - ele questionou preocupado — Eu tive que correr muito para conseguir te segurar a tempo.

— O que? - piscou de novo sem entender.

— Você desmaiou, eu acho. Ia cair de cara no chão. Com certeza iria se machucar.

Ela notou o sotaque arrastado dele e sorriu de leve. Ainda não se acostumara a esse sotaque local.

— Eu... Fiquei tonta - se ajeitou tímida — Mas estou bem agora. Obrigada por me segurar.

— Eu nunca o vi correr tanto.

Ela olhou para o lado. Um outro homem bem alto, forte, barbudo e de presença excêntrica a olhava com um sorriso.

— Não costumo correr - ele riu — Mas foi por uma boa causa - a encarou segurando sua mão.

— Você está doente? - o outro perguntou e apontou para a clínica do outro lado — Precisa que a leve até lá?

— Não - respondeu meio débil — Estou grávida.

Os dois se olharam espantados.

Está esperando seu marido? - o loiro que a segurou questionou.

Eu não tenho marido - abaixou a cabeça,

— O pai da criança? - o outro perguntou.

Foi inevitável. Ela encheu os olhos de lágrimas e balançou a cabeça, se sentindo derrotada.

Não há... Ele... Ele não sabe - revelou.

Oh... Isso é triste - o loiro tocou sua mão — E você já comeu algo?

A última refeição que ela fizera fora pouco antes das onze e já era final de tarde. Negou com

— Venha conosco. Vamos comer alguma

Ela era boba e já tinha cometido erros, mas não iria entrar em um carro com dois homens estranhos. O olhar dela deve ter entregado suas dúvidas porque os dois

Podemos ir caminhando. Tem um restaurante logo ali na esquina e um trailer de lanches do outro lado da praça - ele apontou a direção — Eu me chamo Haroldo Medeiros Ferroso e ele é Felipe Roussô. E você?

O meu nome é Anelise

não é daqui, é? -

Não - ela respondeu baixo — Cheguei há

não conta pra gente o que você está fazendo aqui sozinha, enquanto comemos no restaurante? - seu rosto se iluminou — Eu gastei muita energia para chegar depressa até você -

É verdade - Felipe disse — E ele raramente

engraçado e sorriu de

o convite e foi caminhando entre eles até o restaurante. Haroldo escolheu uma mesa na varanda florida. Chamou um garçon e fez

Tanto faz - respondeu com

situação era tão embaraçosa que não tinha nem vontade de pensar em algo, o que viesse

Eu vou pedir para você, então -