— Luana foi a trabalho para Cidade R. Ela já deve ter chegado aí. Você a viu? — perguntou uma voz do outro lado da linha.
Vicente Freitas semicerrava os olhos, respondendo com tranquilidade:
— Vi, sim.
O avô Freitas falou animado:
— Então lembre-se de hospedá-la por uma noite. Uma moça sozinha na rua, à noite, não é seguro.
Vicente Freitas não atendeu ao desejo do avô e respondeu com honestidade:
— Já providenciei um hotel para ela. Está a caminho e provavelmente já fez o check-in.
— Você... — O avô ficou sem palavras, incrédulo:
— Tão tarde da noite, uma moça recém-chegada do aeroporto... Você a mandou para um hotel? Sua casa tem tantos quartos disponíveis, não podia ceder um?
Vicente Freitas respondeu com calma:
— Poderia, mas não seria apropriado para ela.
O velho Freitas ficou tão irritado que até o bigode tremeu. Sentiu que aquela noite, o neto quase o tirou do sério.
Sonhava com o dia em que teria um bisneto nos braços, e agora, com a oportunidade batendo à porta, o neto simplesmente não colaborava.
— Acho que você vai acabar me levando dessa para melhor! — exclamou o avô, desligando o telefone furioso.
Vicente Freitas sabia por que o avô estava zangado, mas não se importou. Continuou com seus afazeres, sem dar maior importância ao episódio.
...
Na manhã seguinte, Lília Andrade ainda dormia quando sentiu algo se remexendo em seu colo.
Acordou com o movimento e, ao abrir os olhos, deparou-se com uma cabecinha peluda.
Não conseguiu conter o riso e deu um tapinha de leve no bumbum de Maia:
— Chega cedo assim para acordar a mamãe? Não tem medo de levar uma bronca?
Maia, com voz suave e infantil, respondeu:
— Mamãe, acorda! O papai já vai voltar! Hoje a gente combinou de sair para passear, não pode ficar dormindo até tarde...
Lília Andrade olhou para os olhinhos brilhantes da filhinha, cheios de expectativa, e só pôde sorrir:
— Tudo bem, já estou levantando.
Ela já sabia, desde a noite anterior, do compromisso entre Maia e Vicente Freitas. Não adiantava tentar impedir, só restava não estragar a animação da filha.
Ainda mais agora, que ela mesma não estava totalmente recuperada da doença.
Lília levantou-se, foi se arrumar e logo levou a pequena para o café da manhã, aproveitando também para vesti-la de forma especial para o passeio.
Como o dia prometia diversão, vestiu Maia com um suéter branco, um vestidinho rosa-claro de alças e um casaco branco. A menina ficou uma graça, com um ar delicado e encantador.
Dona Amanda apareceu para ajudar, trançando os cabelos de Maia em belas tranças, adornadas nas pontas com pequenos sinos prateados.
A cada passo, a cabecinha da menina balançava levemente e os sinos soavam com uma melodia suave — era de uma fofura irresistível.
Isabel Gonçalves veio à casa para compartilhar o café e, ao ver Maia toda arrumada, não resistiu à doçura:
— Minha querida Maia, como você está linda! Venha, deixa a madrinha te dar um beijo!
Tomou a pequena nos braços e encheu-a de beijos, enquanto Maia dava risadinhas gostosas.
Após o café, mãe e filha ficaram esperando Vicente Freitas em casa.
Vicente respondeu:
— Não.
Ela tentou brincar:
— Então é algo muito importante? Não pode abrir uma exceção? Foi tão difícil conseguir esse dia livre...
Qualquer outro homem, diante de uma voz tão suave, já teria cedido.
Mas Vicente não.
Sua voz esfriou um pouco:
— Não posso. É realmente importante. Não gosto que nada nem ninguém atrapalhe meus planos.
Sentindo a mudança no tom, Luana Senna apressou-se em ser compreensiva:
— Desculpe, não era minha intenção. Pode cuidar dos seus compromissos, Vicente.
Não insistiu mais, mas não conseguiu disfarçar a decepção.
Desde a noite anterior, mesmo tendo se encontrado com ele, só ouvira recusas: não posso, não é conveniente.
Ninguém jamais a rejeitara assim — exceto Vicente Freitas.
E justo ele... era quem ela não conseguia esquecer!
Após desligar o telefone, Vicente Freitas já trazia no olhar um leve traço de irritação.
Segundos depois, ordenou a Ramon Pinheiro:
— Mude de direção. Vamos passar em outro lugar primeiro.

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