— Relíquias do tempo do Império, que antes nem queriam saber da neta, agora vêm aqui pra quê?
— Pois é! E ainda aparecem todos arrumadinhos, mas com ideias velhas dessas… francamente, que absurdo!
— Olha, eu tenho oitenta anos e sei que, hoje em dia, menina é que é um tesouro! Como é que ainda existe gente com mentalidade tão retrógrada?
— Exatamente! Olha só como essa menininha é linda! Eles não quiseram ficar com ela? Só pode ser problema na cabeça!
— Que nada! A própria criança chama aquele rapaz bonito de pai, nem conhece esse povo aí, está bem claro...
— Isso mostra que a menina sabe muito bem o que é certo e errado. Já percebeu o tipo de gente que eles são. Bem feito!
— Ainda ouvi dizer que a pequena Maia estava doente, já vieram até o hospital, e essa família ainda arruma confusão — é muita falta de coração!
— A menina doente, e eles nem se preocupam! Só querem tirar a menina daqui… se conseguirem, será que ela vai ter vida boa?
— Gente assim não tem o menor escrúpulo!
— Essa fofinha não pode ir embora com eles…
Os comentários ao redor eram muitos, todos falavam ao mesmo tempo, criando um ambiente caótico.
Vicente Freitas não gostava desse tipo de situação e logo orientou Ramon Pinheiro:
— Vá chamar a segurança do hospital. Diga que há confusão aqui, estão incomodando os pacientes, que venham resolver.
— Pode deixar.
Ramon Pinheiro respondeu prontamente, já se preparando para avisar os seguranças.
No entanto, antes mesmo que ele pudesse agir, médicos e enfermeiros do hospital apareceram.
Eles já tinham ouvido falar do tumulto e, pressionados, vieram pessoalmente pedir para que todos se retirassem.
— Com licença, aqui é um hospital. Pedimos que saiam, por favor, não perturbem os pacientes…
O médico falou de forma educada, mas os três da família Silva — embora contrariados —, não quiseram passar mais vergonha e saíram furiosos do local.
Ronaldo Silva olhou para Maia, aninhada nos braços de Vicente Freitas, com um olhar amargo de frustração.
Assim que eles se foram, os curiosos ao redor também se dispersaram.
Cesar Silva saiu do hospital transtornado.
Em toda sua vida, nunca tinha sido expulso de um lugar daquela maneira.
Agora, toda a sua raiva se voltava para Valéria Barbosa.
Apontou para ela e acusou:
— Você foi arrumar confusão com eles pra quê? Queria levar Maia pra casa por quê?
Se ela não tivesse provocado, nada disso teria acontecido, nem teriam passado tal humilhação!
Valéria Barbosa, que só pensava no bem da família Silva, ficou indignada com a repreensão de Cesar Silva.
Respondeu de imediato, sem esconder o descontentamento:
— Tudo que fiz foi para o bem da família Silva! Não subestime sua neta. Acabei de saber que a Maia ganhou o primeiro lugar no concurso nacional de pintura, muito melhor que o Caio!
A Associação Internacional de Artes já a convidou e tem uma fila de mestres querendo ser mentores dela.
Uma criança assim, com o sangue dos Silva, como posso deixar que fique por aí, longe da família?
Cesar Silva ficou surpreso.
Olhou para o filho, perguntando:
— Ronaldo, você sabia disso?
Isabel Gonçalves também estava apreensiva.
A menina parecia ter esquecido completamente a família Silva — era realmente estranho. Será que o caso da pequena tinha se agravado?
Vicente Freitas balançou a cabeça:
— Ainda não sei ao certo. Vou levar Maia para o quarto, verificar de perto.
Em seguida, disse a Isabel Gonçalves:
— Srta. Gonçalves, por favor, fique aqui e me avise se algo acontecer.
— Pode deixar, vá tranquilo, eu cuido daqui!
Isabel respondeu de pronto.
Então, Vicente Freitas abaixou-se, olhando com carinho para Maia, e falou suavemente:
— Maia, vamos ver como está o quarto da mamãe, se ela pode descansar melhor lá.
Maia assentiu, obediente:
— Tá bom.
Vicente Freitas e Daniel Dourado levaram Maia até o quarto.
Assim que fecharam a porta, o silêncio tomou conta, isolando o barulho do corredor.
Vicente começou logo o acompanhamento psicológico de Maia, aproveitando para sondar sua opinião sobre a família Silva…
No fim, percebeu que Maia não estava sob efeito de hipnose; simplesmente escolhia esquecer tudo que lhe fazia mal.
No fundo, era uma forma de defesa: por causa do estado psicológico, ela instintivamente bloqueava qualquer pessoa que pudesse machucá-la.

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