Isso era realmente urgente. Assim que soube das armações do Grupo Silva e de Bento Viana, Lília Andrade não conseguiu ficar parada esperando o pior acontecer.
Sem se preocupar se iria incomodar Mateus Nogueira naquela hora, ela ligou para ele no meio da noite, e também entrou em contato com Sebastião Serra, marcando um encontro para discutirem o assunto.
O setor de comunicação do Grupo Silva era inatingível para eles.
Segundo o informante, até no máximo na manhã seguinte o Grupo Silva começaria a divulgar os vídeos.
Como se prevenir, ou até impedir a divulgação, era algo que precisava ser cuidadosamente debatido.
Da parte de Mateus Nogueira, não houve qualquer objeção.
Uma hora depois, eles já estavam reunidos.
— Me desculpem por chamá-los tão tarde assim, mas realmente não dava para deixar isso para amanhã, — disse Lília Andrade, sentindo-se um pouco culpada por perturbá-los no meio da noite.
Mateus Nogueira acenou com a mão, despreocupado:
— Não se preocupe com isso. Coincidentemente, também tenho algumas informações para dividir com você.
Sebastião Serra sentou-se, demonstrando também não se importar.
— Nas últimas semanas, pedi para Sidney Pinto investigar Bento Viana e descobrimos algumas coisas do passado dele.
Esse sujeito, na verdade, já cometeu várias infrações e ilegalidades.
Entre os crimes mais comuns, está o roubo de fórmulas de medicamentos. Várias empresas já entraram com processos contra ele, mas todos foram arquivados por falta de provas.
Além disso, há muitos pontos obscuros na vida dele.
Por exemplo, durante mais de dez anos, ele frequentou regularmente um orfanato.
Em certo ano, algumas meninas desse orfanato morreram de forma misteriosa.
Na época, houve até uma investigação, mas a conclusão foi de que as meninas morreram por doença.
Logo depois, o orfanato foi fechado.
Dizem que o motivo foi uma investigação que constatou a presença de substâncias tóxicas na estrutura do prédio, o que teria causado doenças nas crianças e motivado a transferência delas.
Mas o ponto mais suspeito é o seguinte:
Antes de Bento Viana começar a frequentar esse orfanato, nunca tinha acontecido nada sério por lá.
Havia crianças com problemas de saúde, é verdade, mas todas eram doenças congênitas. Nunca houve nenhuma morte... — concluiu Mateus.
Sebastião Serra então acrescentou:
— Sim, eu também descobri algumas coisas. Não foi só no orfanato. Esse Bento Viana também atuou como professor no exterior.
Ele orientou vários estudantes.
Entre eles, algumas alunas acabaram cometendo suicídio, o que gerou grande repercussão na universidade.
Como eram orientandas dele, Bento Viana foi alvo de muita polêmica.
De repente, Lília Andrade teve uma ideia.
Ela imediatamente perguntou aos dois:
— Vocês acham que as supostas "provas" de Bento Viana podem, na verdade, ser registros dos crimes que ele mesmo cometeu, só que editados para incriminar meu mestre?
Mateus Nogueira não hesitou diante da hipótese:
— É bem provável. Em tão pouco tempo, ele dificilmente conseguiria encontrar outras evidências para culpar o seu mestre.
Lília Andrade ficou ainda mais aflita, perguntando rapidamente:
— E durante as investigações, vocês realmente não encontraram nenhuma prova? Se Bento Viana é mesmo um criminoso em série, não acredito que não tenha deixado nenhum rastro! E quanto aos funcionários daqueles abrigos, orfanatos? Alguém deve saber de alguma coisa, não?
Mas Lília Andrade ficou desapontada.
Mateus Nogueira balançou a cabeça:
— Pode até haver provas, mas já se passou muito tempo, e além disso, aconteceu no exterior. É muito difícil investigar.
Os funcionários desses lugares mudam constantemente, não ficam reunidos por muito tempo. Muitos já foram transferidos para outros abrigos, é quase impossível localizá-los...
— E agora, o que vamos fazer? — perguntou Lília Andrade, visivelmente desanimada.
Mateus Nogueira respondeu:
— Podemos deixar Bento Viana de lado por enquanto. Se investirmos mais tempo, vamos acabar encontrando provas.

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