As pessoas foram chegando ao reservado uma após a outra, e Gina terminou oportunamente o assunto com seu orientador.
O jantar durou mais de uma hora. Os diretores da faculdade e alguns professores ainda permaneciam bebendo; os estudantes que conseguiam acompanhar, brindavam juntos, enquanto os que não bebiam ficavam conversando no sofá.
Gina sentiu que o cheiro de comida misturado ao de álcool deixava o ambiente um pouco abafado, então levantou-se para tomar um ar.
No final do corredor havia um pequeno jardim externo; ela se dirigiu até lá. Acabara de apoiar a mão na maçaneta de vidro, quando ouviu passos atrás de si. Antes que pudesse reagir, uma mão de ossos longos e bem definidos cobriu a sua, ajudando-a a empurrar a porta.
Aquele toque era tão familiar que Gina não precisou virar a cabeça para saber quem era.
O mundo era pequeno demais, ou Fábio era mesmo onipresente? Sempre que saía da base, acabava esbarrando com ele.
Ao sentir o ar frio do lado de fora, Gina franziu as sobrancelhas delicadas.
"Mal me vê e já franze a testa", Fábio colocou os dois indicadores próximos aos lábios dela e, num gesto infantil, tentou forçar um sorriso falso, "não pode ao menos sorrir para mim?"
Do toque de seus dedos vinha um leve aroma de pinho, que invadia as narinas de Gina sem que ela pudesse evitar.
Ela virou o rosto: "Só de te ver já me irrito, não consigo sorrir."
Fábio respondeu: "Você, uma pessoa de trinta e sete graus, consegue dizer coisas tão frias assim?"
Gina caminhou até uma das cadeiras de vime, ignorando-o.
Fábio não se aborreceu, seguiu-a como um adesivo, sentou-se à sua frente, apoiando os cotovelos na mesa e o rosto nas palmas das mãos, com os olhos negros fixos nela.
O olhar intenso a deixou um pouco desconfortável.
"Você é linda mesmo", disse ele, com um sorriso no olhar.
Gina achou que Fábio só podia ter algum problema sério; desviou o olhar, pronta para xingá-lo, mas acabou se distraindo com a camisa entreaberta do homem.
Dentro do restaurante era quente como a primavera, mas lá fora fazia frio, e Gina tinha colocado um casaco grosso para sair.
Fábio usava um sobretudo cinza, mas por baixo estava apenas com uma camisa preta de tecido leve, com alguns botões abertos. A pele clara do pescoço e da clavícula se destacava na luz tênue, chamando a atenção.
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