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O Acordo Bilionário com o Inimigo do Meu Ex romance Capítulo 4

"O problema não é reconhecer o perigo, é quando ele vem na forma do único homem que pode te salvar."

O elevador subia em silêncio.

Alina permanecia parada ao lado de Emma, com as mãos unidas à frente do corpo numa tentativa inútil de esconder o quanto estava nervosa. O espelho discreto na lateral do elevador devolvia a imagem de uma mulher que parecia ter envelhecido anos em uma única noite. Mesmo depois de lavar o rosto no apartamento de Emma, trocar de roupa e tentar disfarçar o hematoma com maquiagem, nada nela parecia realmente recomposto.

Como poderia?

Ainda havia cansaço nos olhos, tensão na boca e o reflexo condicionado do medo em cada músculo.

Emma a observava pelo espelho.

— Quer voltar?

Alina olhou para ela rapidamente.

Era uma pergunta feita com carinho, sem pressão, mas a resposta continuava impossível.

Voltar para onde?

Para o apartamento da amiga? Para o aeroporto? Para a Rússia? Para os braços de um monstro?

Não havia volta. Só havia esse corredor estreito e incerto chamado frente.

Ela respirou fundo respondendo.

— Não.

Emma assentiu devagar.

— Meu irmão pode ser intimidador.

Alina soltou uma pequena exalação sem humor.

— Isso não ajuda.

Emma quase sorriu.

— Estou tentando ser honesta.

— E isso ajuda menos ainda.

Dessa vez, Emma sorriu de verdade, embora rápido. Foi um gesto breve, mas importante. Quase um lembrete de que ainda existiam pequenos instantes de humanidade no meio do desastre.

Quando o elevador finalmente parou, as portas se abriram para um hall privativo com acabamento sofisticado, mármore escuro e iluminação indireta. Tudo ali mostrava luxo de forma discreta, mas evidente, ocupando o espaço com naturalidade, sem precisar chamar atenção.

Thomas não as acompanhou e Emma conduziu Alina por um corredor silencioso até uma porta dupla já aberta.

Não havia secretária, nem recepção ou qualquer movimento que indicasse que a empresa estava funcionando.

Havia intimidade e poder demais. E a sensação de estar entrando no centro exato de alguma coisa que ela ainda não compreendia.

Alina parou por um segundo na soleira da porta apenas para observar.

O escritório era imenso, com paredes em madeira escura, tapetes discretos, obras de arte moderna posicionadas com precisão, uma estante repleta de livros, pastas de couro, e enormes janelas de vidro que revelavam Manhattan como se a cidade inteira estivesse ali apenas para ser observada do alto.

E perto da janela, de costas, com uma das mãos no bolso da calça social escura e a outra segurando um copo baixo com água, estava ele.

Alexander Cárter.

Ele não precisou se virar para que ela soubesse que era ele. A postura firme e a forma natural como ocupava o espaço deixavam isso claro.

Alexander não lembrava exatamente os homens que ela conheceu em Moscou. Neles havia uma ostentação evidente, quase exagerada, com uma necessidade constante de mostrar poder. Em Alexander, pelo menos à primeira vista, o poder parecia mais perigoso justamente porque ele não precisava provar nada.

Emma deu dois passos à frente.

— Alex.

Ele se virou.

Por algum motivo, Alina percebeu a tensão chegar antes mesmo que ele se movesse.

Talvez fosse a forma como ocupava o espaço, ou a maneira como permanecia imóvel diante da janela, como alguém acostumado a ser ouvido sem precisar levantar a voz.

Ou talvez fosse apenas instinto.

Porque, pela primeira vez desde que deixou Moscou, ela teve a sensação de estar diante de um homem que não recuaria diante de Viktor Volkov.

E o primeiro impacto que Alina sentiu não foi o da beleza. Embora ela estivesse ali, inegável, quase severa. O que a atingiu primeiro foi a força do olhar.

Um verde escuro e intenso que a encarou sem hesitar, como se percebesse o medo dela antes mesmo que ela dissesse qualquer coisa.

Alina prendeu a respiração.

Alexander era alto, mais do que ela esperava, mas não foi isso que chamou sua atenção primeiro.

Foi a presença.

A forma como permanecia imóvel diante da janela, ocupando o espaço com uma naturalidade desconcertante, como alguém acostumado a tomar decisões que mudavam o destino de outras pessoas sem precisar levantar a voz para ser ouvido.

Só depois Alina percebeu os detalhes.

O terno preto perfeitamente ajustado aos ombros largos, os cabelos escuros levemente desalinhados sobre a testa, a barba curta desenhando o maxilar e a tatuagem que desaparecia sob a gola da camisa, criando um contraste estranho entre sofisticação e perigo.

Ele era um homem bonito.

Mas havia algo muito mais intimidante do que sua aparência.

A sensação de que aquele era um homem acostumado a vencer.

Alexander olhou primeiro para a irmã e depois voltou a atenção para Alina, sem pressa e sem qualquer sinal de constrangimento.

— Emma — disse, em voz baixa.

Emma cruzou os braços.

— Vai começar a me irritar se usar esse tom de chefe comigo.

Capítulo 04 — O Homem de Olhos Verdes 1

Capítulo 04 — O Homem de Olhos Verdes 2

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