Vanessa chorou durante todo o trajeto, segurando a mão do pai dentro da ambulância. Suas emoções eram um emaranhado de pânico, culpa e incredulidade. Como tudo havia saído tanto do controle? Ela fez de tudo para manter aquilo em segredo, escondido por trás de sorrisos e gestos ensaiados.
Mas... Ela não tinha começado aquilo sem motivo.
A culpa era de Daven.
Se ele não a tivesse ignorado, se não a tivesse feito se sentir invisível, ela nunca teria buscado carinho em outro lugar. Pelo menos James a escutava. Nunca discutia. Sempre lhe dava o que ela queria, sem questionar.
— Eu não vou deixar as coisas terminarem do jeito que o Daven quer, prometeu a si mesma, apertando mais forte a mão do pai, rezando para que ele ficasse bem.
O saguão do hospital virou um caos no instante em que chegaram. Enfermeiros correram até a maca, enquanto o assistente de Theo abria caminho, dava ordens e chamava o médico responsável.
— Senhor Theo Blake! Sessenta e dois anos! Colapso súbito, pressão normal! — Anunciou um dos paramédicos.
Vanessa correu atrás, o rosto molhado de lágrimas, o peito apertado pela ansiedade.
— Pai! Pai, abre os olhos! Sou eu! Por favor!
— Senhorita, mantenha a calma. Vamos cuidar do seu pai. — Disse uma enfermeira, impedindo sua passagem quando as portas da emergência se abriram.
— Eu quero ir com ele! Eu—
— Sinto muito, senhorita Vanessa. — Interrompeu o assistente, firme, mas educado. — A equipe médica precisa de espaço. Peço que aguarde aqui.
Vanessa mordeu o lábio com força. Seu corpo tremia inteiro. Nunca tinha visto o pai daquele jeito imóvel, inconsciente... Frágil.
Daven estava alguns passos atrás.
Observando.
Seu rosto permanecia ilegível. Frio. Distante. Ele não disse nada. Não tentou consolá-la. Apenas estava ali, como se não fizesse parte de nada daquilo.
— Daven... — Vanessa se aproximou com passos instáveis. — Eu achei que você... Obrigada. Por ter vindo.
— Eu não vim por você. — Respondeu ele, frio. — Eu trouxe meu sogro ao hospital. É o mínimo que um genro faria.
Fez uma pausa.
— Principalmente quando isso acontece na minha frente.
Vanessa engoliu em seco, tentando sustentar o olhar dele, mas ele desviou. Ela queria falar, explicar tudo, pedir perdão, uma segunda chance... Qualquer coisa. Mas nem sabia por onde começar.
— Você... Vai esperar notícias do médico? — Perguntou, em voz baixa.
Daven balançou a cabeça.
— Não. Já garanti que ele está recebendo o melhor atendimento. Minha obrigação social termina aqui.
— Você vai simplesmente ir embora? — Vanessa deu um passo à frente, incrédula.
Dessa vez, os olhares se encontraram.
Mas não havia mais nada ali.
Nenhum calor.
Nenhum sentimento.
Apenas frieza.
Distância.
Como se ela fosse uma desconhecida.
— Depois de tudo isso... Depois de tudo o que você fez... Você vai simplesmente virar as costas?
— O que há de errado em pedir provas? Em buscar a verdade? — Respondeu Daven, com um leve sorriso sem humor. — Mas, já que o estado do seu pai não permite isso agora, posso adiar essa conversa.
— E eu?
Ele piscou, sem emoção.
— E você o quê?
— Você não quer ouvir o meu lado?
— Já te disse. Se tem algo a dizer, fale com o meu advogado. Eu não quero ouvir.
Vanessa o encarou, incrédula, então avançou e segurou o braço dele antes que se afastasse.
— Por que você não quer ouvir?! — Sua voz falhou, mais alta agora.
— Abaixe o tom. — Disse Daven, tentando se soltar, mas ela não cedeu.
E ele poderia tê-la afastado.
Mas não o fez.
Ainda não.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Arrependimento Dele - Ex-Marido Me Quer de Volta