O ambiente no Grupo Callister naquela manhã seguia como sempre, calmo, mas com um ritmo constante de atividade. Daven entrou sem dizer uma palavra, o terno cinza escuro acompanhando com precisão seus passos firmes e seguros. Cada funcionário que cruzava seu caminho apenas inclinava a cabeça em respeito, ciente de que ele não era alguém dado a conversas desnecessárias. No máximo, recebiam um cumprimento breve e educado.
Pouca coisa havia mudado, mesmo com sua ausência recente do escritório.
Ao chegar à porta da sua sala, Arsen já o aguardava, tablet em mãos.
— Bom dia, senhor Daven. — Cumprimentou, com um leve sorriso contido. — Seu café já está na mesa. Espero que esteja ao seu gosto.
Daven lançou um olhar rápido.
— Meu gosto mudou tão rápido assim? Esse “bom dia” veio carregado de perguntas demais, Arsen. Para deixar claro... Eu estou bem.
Arsen conteve um sorriso. Havia se esforçado para não perguntar diretamente sobre a noite anterior, mas, como sempre, Daven não deixava brechas.
— O que tenho para hoje?
— Nenhuma reunião externa. O senhor pediu para liberar a agenda para resolver algo importante. — Respondeu Arsen, de forma objetiva.
— Ah, é mesmo. — Daven caminhou até a cadeira. — Então... Quais são as atualizações?
— Algumas devem interessar bastante ao senhor. — Disse Arsen rapidamente. — A equipe de Osaka finalizou a última fase do projeto estrutural. Em cerca de duas semanas, o local estará pronto para visita. Já organizei tudo conforme sua disponibilidade, eles estão ansiosos para recebê-lo.
Daven assentiu.
— E Frankfurt?
— Operações normalizadas. As licenças para a segunda fase já estão em andamento. Acredito que o senhor pode planejar uma visita em dois meses. Mas, se quiser antecipar, posso organizar.
— Vou pensar. Continue.
Eles seguiram com diversos relatórios e alinhamentos com líderes de setores. Em alguns momentos, as discussões se intensificaram, exigindo atenção total de Arsen, que anotava cada detalhe com precisão.
Até que...
— Senhor Daven... — Arsen interrompeu, cauteloso.
Daven ergueu o olhar, levemente irritado.
— O que foi?
— A senhorita Vanessa está aqui.
O silêncio durou um segundo.
— Vamos adiar a reunião para o horário do almoço. — Disse Daven, com naturalidade. — Quero tudo resolvido até lá. Sem pendências.
— Sim, senhor. — Responderam em uníssono antes de saírem rapidamente.
Todos sabiam exatamente quem era a visitante.
Poucos segundos depois, Vanessa entrou.
Como sempre, impecável. Elegante, bonita, irretocável. Mas, naquele dia, havia algo diferente, seu rosto estava mais pálido, como se o peso da situação tivesse finalmente deixado marcas.
— Oi, Daven. — Disse, em tom suave.
Ele apenas lançou um olhar breve.
— Como está o senhor Blake?
— Muito melhor. — Respondeu ela, tentando suavizar o clima. — O médico disse que ele está estável. Pode receber alta em alguns dias. Graças a você, ele teve o melhor atendimento.
Daven não reagiu.
— Que bom. — Recostou-se no sofá. — Então... O que você veio dizer?

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