— Felizmente, a senhorita Vanessa não corre perigo imediato. — Disse o médico.
Daven soltou o ar, aliviado.
Um alívio genuíno.
Ele não conseguia entender o que havia passado pela cabeça dela para fazer algo tão extremo. Como alguém poderia, propositalmente, se machucar daquela forma? Tudo tinha acontecido rápido demais, o sangue, o desespero, o caos. O corte havia sido profundo, deixando o braço dela completamente ensanguentado.
— Obrigado, doutor. — Respondeu Daven, com um leve sorriso. Pelo menos aquela situação imediata estava sob controle.
— Por enquanto... Recomendo que o senhor permaneça ao lado dela até que esteja mais estável.
Daven não respondeu.
Permaneceu em silêncio até que o médico deixasse o quarto.
Então, ficou ali, imóvel, olhando para a mulher deitada na cama.
O braço esquerdo dela estava envolto em uma longa faixa. O rosto, completamente pálido. Tão diferente da mulher que, poucas horas antes, havia invadido seu escritório cheia de energia e confronto.
— No que você estava pensando... — Murmurou, quase para si mesmo.
Sem muita escolha, puxou uma cadeira e se sentou ao lado dela.
Não demorou para que Arsen entrasse no quarto, trazendo atualizações sobre o trabalho que havia ficado para trás no meio de toda aquela confusão. Daven deu algumas instruções, precisava. Em poucos dias, estaria partindo para SunCity. Chris Miller já havia confirmado a reunião, e aquela oportunidade não podia ser desperdiçada.
O olhar de Arsen se voltou para Vanessa.
Ele também não esperava que ela chegasse a esse ponto.
Parecia... Egoísta.
Se não queria o divórcio, por que trair?
Aquilo não fazia sentido.
— Acredito que a senhorita Vanessa trouxe aquela faca dobrável de propósito. — Disse Arsen, em voz baixa. — Ela deve ter previsto como a conversa com o senhor iria terminar... E o quanto se sentiria encurralada.
Daven levou a mão à têmpora.
— Talvez. — recostou-se na cadeira, o cansaço evidente. — Coloque algumas pessoas para observá-la. Duvido que essa tenha sido a última vez que ela vai tentar me pressionar.
— Sim, senhor.
— E garanta que nenhum jornalista publique nada imprudente. A não ser que ela mesma decida levar isso ao público.
Daven já se preparava para sair.
Não tinha intenção de permanecer ali mais do que o necessário.
Mas, quando já se aproximava da porta, uma voz o fez parar.
— Onde... Eu estou?
Fraca. Confusa.
Vanessa havia acordado.
Ele se virou lentamente, o rosto sem expressão.
— Vamos dizer que você está bem perto das portas do inferno.
Um leve sorriso surgiu nos lábios dela.
— Então... Você ficou preocupado comigo?
— Eu poderia ter ido embora sem pensar duas vezes. Mas o que você fez foi repugnante, Vanessa. Dentro do meu escritório. No meu espaço. Eu me recuso a ser testemunha da sua morte hoje.
— Suas palavras machucam mais do que você imagina, Daven.
Ele não respondeu.
Não havia esquecido o que ela disse antes de tudo aquilo acontecer.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Arrependimento Dele - Ex-Marido Me Quer de Volta