Daven levou alguns segundos para processar as palavras do seu assistente. Seus olhos azuis permaneceram fixos em Arsen, intensos o suficiente para fazer o homem desviar o olhar, visivelmente desconfortável.
— Se isso te incomoda, eu posso—
— Não! — Interrompeu Daven imediatamente. — Só é... Inesperado.
Uma sobrancelha se ergueu.
— James? — Sua voz desceu, carregada de frieza. — Ele acha que eu tenho tempo para o amante da minha esposa? Esse homem não tem vergonha nenhuma.
— Posso recusar por você. — Sugeriu Arsen, cauteloso.
Daven ficou em silêncio por um instante, depois voltou a caminhar.
— Não precisa. Diga para ele me encontrar na cafeteria perto do aeroporto. Se quer falar... Eu vou ouvir.
Arsen assentiu, mas por dentro não conseguiu evitar o pensamento: O chefe tinha enlouquecido? Aceitar encontrar o homem que ajudou a destruir o próprio casamento...
A cafeteria estava relativamente vazia naquela tarde. O aroma forte de café recém passado preenchia o ambiente, misturado ao som discreto de colheres batendo nas xícaras.
James estava sentado em um dos cantos, inquieto. Seus dedos batiam levemente na mesa, denunciando o nervosismo. Já fazia quase trinta minutos que esperava, exatamente onde havia sido orientado.
Mas Daven ainda não tinha chegado. Será que estava ocupado demais? Ou... Estaria sendo testado?
Não.
Daven não era o tipo de homem que brincava com tempo.
— Espero não ter tomado a decisão errada... — Murmurou para si mesmo.
Ele estava ali para acertar as coisas. Pelo menos... Aquilo era o mínimo que podia fazer enquanto tudo continuava saindo do controle.
Quando levantou o olhar novamente, finalmente o viu.
Daven entrou com sua postura habitual, firme, segura, impossível de ignorar.
Sem perder tempo, puxou a cadeira e sentou-se diretamente à frente dele. O olhar era frio. Hostil.
Deixando claro que James não era bem-vindo.
— Fale! — Disse Daven, direto. — Se for para desperdiçar meu tempo, eu levanto agora.
James engoliu em seco.
— Não, senhor Daven. Obrigado por ter vindo.
Daven não respondeu. Apenas cruzou os braços, observando-o como alguém que não confiava em uma única palavra.
— Eu... Quero me desculpar. — Disse James, finalmente. — Por tudo o que aconteceu entre mim e a Vanessa.
Daven se recostou na cadeira, a expressão completamente fechada.
— Eu deveria te agradecer por me fazer parecer o maior idiota do mundo?
— Não foi isso que eu quis dizer. — Respondeu James rapidamente. — Eu sei que estou errado. Mas... Com todo respeito... Eu queria pedir que o senhor a perdoasse. Que voltasse com ela. Pode colocar toda a culpa em mim.
Um leve sorriso surgiu nos lábios de Daven.
Frio. Cortante.
— Então você é o herói dela agora?
James permaneceu em silêncio.

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