A porta da sala de reunião se fechou atrás deles.
O clique suave pareceu leve, mas foi suficiente para cortar a atmosfera tensa deixada lá dentro. Daven caminhou à frente pelo corredor, os passos firmes, os ombros alinhados, como se a reunião não tivesse sido nada além de uma obrigação de rotina.
Assim que entrou em seu escritório temporário, afrouxou a gravata e a jogou sobre o sofá. O paletó veio em seguida, largado sem cuidado sobre o encosto de uma cadeira.
Ele inspirou fundo e soltou o ar devagar.
Arsen ficou alguns passos atrás, claramente ainda processando o que acabara de acontecer.
— Sinceramente, senhor... — Disse Arsen por fim. — Eu não esperava por isso.
Daven olhou levemente para trás.
— Sobre Bret?
— Ou sobre aquele homem. — Continuou Arsen. — Oscar. Pensei que ele fosse apenas mais um mensageiro pago. Mas trabalhar diretamente para um dos comissários... Isso me pegou desprevenido.
Daven caminhou até a janela.
A chuva ainda caía suavemente sobre Jiangshe, traçando linhas finas de água no vidro.
— Foi exatamente por isso que ele foi escolhido. — Disse com calma. — Alguém como Bret não usaria um peão fácil de rastrear.
Arsen assentiu devagar.
— Oscar admitiu que recebia instruções diretas. Toda a agitação envolvendo os moradores afetados, as exigências de indenização, até o momento da aparição dele... Tudo foi cuidadosamente orquestrado.
— Se eu não tivesse pressionado mais, tenho certeza de que ele teria ficado calado até o fim. — Disse Daven, sem emoção. — Você disse para entregarem Oscar a Cale?
— Sim, Sr. Daven. Também designei alguns homens para vigiá-lo. Só por precaução, caso o desaparecimento repentino dele levante perguntas e se torne um problema para nós.
— Ótimo.
Daven massageou as têmporas, expirando profundamente.
— Mas o que ele fez no fim do interrogatório foi... Inquietante.
A mandíbula de Arsen se contraiu, as mãos se fechando em punhos.
— Ele mordeu a própria língua, senhor. Sem hesitar. Como se... Já tivesse decidido desde o começo que essa seria sua saída.
Daven deu um sorriso discreto.
Puxou uma cadeira e se sentou pesadamente, como se liberasse um peso que ainda pressionava seus ombros.
— O que significa que Bret não está agindo sozinho.
Arsen observou o chefe com atenção.
— Então o senhor tem certeza de que há outra pessoa por trás dele?

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