— Cuidado ao pisar. — Disse Nathan enquanto Riana se preparava para entrar no carro.
Ele disse o mesmo a Althea e Josh.
Nathan ocupou o banco do passageiro ao lado de Erick, enquanto outro veículo seguia logo atrás como escolta. O que havia acontecido apenas aumentara a vigilância de Nathan. Ele não permitiria que algo assim ocorresse outra vez.
O carro deixou o terreno do hospital em um ritmo lento e controlado. O anoitecer ainda não havia se instalado por completo, mas o céu já tinha assumido um tom cinza arroxeado e apagado.
Dentro do carro, o silêncio se estendeu, não um silêncio vazio, mas um silêncio denso, carregado de emoções que ainda não haviam se acalmado.
Riana recostou-se no banco e soltou uma longa respiração.
— Eu não gosto daquela mulher. — Disse por fim, sem rodeios. — A forma como ela fala, como olha para as pessoas, como reage às coisas... Argh. Tudo nela me deixa desconfortável.
Nathan lançou um breve olhar para ela pelo retrovisor, deixando claro que a havia ouvido, então voltou os olhos para a estrada.
— Eu sei. — Disse com calma. — E eu também não gosto dela. Mas precisamos ter paciência.
— Paciência até quando? — Rebateu Riana. — Ela está claramente tentando pescar simpatia, fazendo parecer que nós somos os cruéis.
Nathan expirou suavemente.
— Até sabermos exatamente quem Selena e Eli realmente são. Até Cale nos entregar um relatório completo. Emoções não vão nos ajudar agora. Acho que Cale está certo. Não podemos agir de forma imprudente.
No banco de trás, Althea ouviu tudo em silêncio. Ela segurou a mão da sogra e a apertou com delicadeza.
— O papai está certo, mamãe. — Disse suavemente. — Eu também estou desconfortável, mas Selena claramente quer arrancar uma reação nossa. Se mordermos a isca, ela é quem se beneficia.
Josh soltou uma respiração frustrada.
— Mas o jeito como ela fala... É como se estivesse dizendo que a mãe... Como se a mãe tivesse tirado algo dela. — Disse, incapaz de esconder a irritação. — Não gostei de como ela encurralou você na frente de todo mundo.
Althea se virou para olhar para o filho.
— Eu sei! — Disse em voz baixa. — E obrigada por me defender. Mas, por enquanto, tente segurar essa raiva, tudo bem?
Ela passou a mão suavemente pelo alto da cabeça dele.
Josh apertou a mandíbula.
— Eu só não entendo. Quem são Selena e Eli de verdade? Por que elas apareceram e imediatamente jogaram tudo no caos?
Nathan olhou para Josh pelo retrovisor e encontrou seu olhar, afiado, questionador, muito mais maduro do que a idade permitiria imaginar.
Não era um olhar exigindo respostas imediatas, mas pedindo honestidade.
E era exatamente isso que fez Nathan hesitar.
Ele olhou para Riana e Althea, como se buscasse o consentimento delas. Ambas permaneceram em silêncio. Por fim, Riana deu um pequeno aceno, não exatamente concordando em explicar tudo naquele momento, mas compreendendo por que o marido estava se segurando.
Nathan respirou fundo.
Seus pensamentos correram, não sobre o que dizer, mas sobre o que uma criança ainda não deveria precisar ouvir em um momento como aquele. Josh era inteligente. Inteligente demais. Uma vez que a verdade fosse dita, ele juntaria as peças sozinho, conectando fragmentos que ainda não estavam prontos para formar um todo.
— Eu vou explicar. — Disse Nathan finalmente, a voz baixa e firme. — Mas não agora. Estamos todos exaustos. Dê um tempo ao vovô, até as coisas ficarem mais calmas.
Ele evitou olhar diretamente para Josh enquanto dizia aquilo, com receio de que seus olhos denunciassem a incerteza que sentia.


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