— Acho que não. — Respondeu o guarda, então deu um passo para o lado para deixar Cale entrar.
A sala era escura, iluminada apenas por uma única lâmpada pendurada, que brilhava fracamente no centro do teto enferrujado. Sua luz amarelada se espalhava de forma irregular, lançando sombras longas pelas paredes úmidas de concreto. O cheiro de sangue, suor e metal se misturava em um só, pesando no ar, hostil a qualquer um azarado o bastante para respirá-lo.
Oscar estava amarrado a uma cadeira de metal. Sua cabeça pendia baixa, o rosto machucado a ponto de quase não ser reconhecido. Um dos olhos estava inchado, quase fechado, os lábios partidos, e sangue seco grudava na linha de sua mandíbula. A camisa que usava talvez um dia tivesse sido branca, mas agora era impossível dizer, coberta pelas manchas escuras que encharcavam o tecido.
Cale parou a alguns passos dele, observando-o. Seu olhar era plano e frio, desprovido de qualquer excesso de emoção.
— Levante a cabeça. — Disse Cale, curto.
Oscar ergueu lentamente o rosto. Só aquele pequeno movimento já o fez estremecer, sua respiração ficando rasa e irregular.
— Você sabe por que ainda está vivo. — Continuou Cale. — Então não desperdice meu tempo.
Oscar soltou uma risada curta, rouca e amarga.
— Se quisesse me matar, teria feito isso desde o início, não teria?
— Não gosto de matar pessoas que ainda não terminaram de falar.
Cale puxou uma cadeira e se sentou diretamente diante dele. A distância entre os dois diminuiu, perto o bastante para Cale ver o quanto Oscar havia se deteriorado. E perto o bastante para notar o medo que Oscar não conseguira esconder por completo.
— Minha pergunta não mudou. — Disse Cale em voz baixa. — Onde está Harold?
Oscar engoliu em seco.
— Eu já disse. Sou apenas um conector, um intermediário contratado para causar problemas, especialmente em Jiangshe. Nada além disso.
— É mesmo só isso? — Cale zombou. — Você começaria a falar se uma de suas mãos desaparecesse?
— Não estou mentindo! — Oscar se forçou a manter contato visual. — Já contei tudo que vocês queriam saber. Não estou mais escondendo nada. Por favor... Me deixe ir.
Cale expirou suavemente.
— Você está mentindo.
— Não estou...
— Está. — Cale o interrompeu com aspereza. — Precisa de um amigo?
Oscar piscou, confuso.

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