A porta se fechou suavemente atrás deles.
A sala fornecida pela promotoria não era grande, mas era acolhedora o bastante: um sofá de dois lugares, uma mesinha, um bebedouro e uma janela fosca que deixava a luz entrar sem revelar nada do lado de fora. No mínimo, estava longe das câmeras e dos holofotes. O barulho estava abafado, a pressão, aliviada.
Mais importante, era um espaço seguro o bastante para que conversassem como marido e esposa, não como alvos das notícias.
— Sente-se. — Disse Daven, soltando uma longa respiração.
Ele não esperava, de forma alguma, a visita da esposa. Os advogados responsáveis por seu caso apenas haviam mencionado que um familiar desejava vê-lo. Se soubesse que era Althea, teria recusado desde o início.
Arsen havia coordenado aquilo com o advogado principal? Ele não sabia. Não podia contatar Arsen livremente. Até falar com Cale vinha com limites de tempo impossíveis de negociar.
Aquilo realmente parecia uma prisão.
Althea se aproximou sem dizer uma palavra.
Só quando estava tão perto ela conseguiu ver Daven com clareza, o rosto pálido e abatido, a tensão ainda marcada em sua mandíbula. Seu terno estava amarrotado, a gravata frouxa, e seus olhos, geralmente calmos, agora pareciam obrigados a uma vigilância constante.
Aquilo foi suficiente.
Althea não esperou mais.
Envolveu Daven gentilmente com os braços. O abraço não foi apertado, nem apressado. Ela descansou o rosto contra o peito dele e, pela primeira vez desde que entrou na sala, suas lágrimas caíram sem controle.
Daven ficou imóvel por alguns segundos antes de retribuir o abraço. Seus braços a envolveram lentamente, depois se apertaram, não para contê-la, mas para garantir que ela estava mesmo ali, em seus braços.
— Sinto muito. — Disse Daven em voz baixa. — Nunca quis que você me visse assim.
— Por que não? — Perguntou Althea suavemente.
Daven só conseguiu encarar o teto, procurando as palavras certas. Nenhuma veio. Tudo que pôde fazer foi fechar os olhos com força e acariciar as costas dela em movimentos lentos e gentis.
— Sinto muito. — Sussurrou.
— Eu vi todas as notícias. — Disse Althea suavemente. — Eles estão encurralando você. Fazendo você parecer um criminoso imprudente, como se tudo que fizesse fosse algum erro imperdoável.
Daven soltou uma longa respiração.
— Não consigo impedir.
— Eu sei.

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