Selena respirou lentamente antes de falar. Compôs a expressão, relaxou os ombros, então olhou para Nathan e Riana alternadamente. Sua voz era gentil, quase tingida de arrependimento.
— Antes de tudo, quero pedir desculpas... — Disse Selena. — Sei que a forma que escolhi ontem foi chocante e desagradável.
Eli ficou rígida. Seus dedos apertaram o guardanapo no colo. Pelo canto dos olhos, observou a mãe assumir o controle da conversa. Mesmo assim, não ousou erguer a cabeça.
— Mas... — Selena continuou, sem deixar espaço. — Esperei tempo suficiente.
Nathan não a interrompeu. Apenas se recostou na cadeira, os dedos entrelaçados sobre a mesa. Seu olhar era calmo, oferecendo espaço e, ao mesmo tempo, exercendo pressão. Os pratos dispostos diante deles pareciam intocados, como meras decorações. Por mais apetitosos que parecessem, a tensão na sala tirava qualquer encanto da comida.
— Quanto tempo mas eu deveria esperar? — Selena soltou um longo suspiro.
Sua expressão se suavizou em tristeza enquanto ela se inclinava ligeiramente para a frente.
— Vocês sabem quem Eli é. Sabem quem foi o pai dela. Mas, desde que revelei essa verdade, vocês a ignoraram. O status de Eli foi deixado em suspenso. Indefinido.
A paciência de Riana se rompeu.
— Selena...
— Vocês têm vergonha? — Selena a interrompeu rapidamente.
Seu olhar se desviou para Riana, com uma decepção afiada nos olhos.
— Vergonha de admitir que Chase teve outra filha? Ou vergonha diante do mundo porque essa criança nasceu de uma mulher que vocês nunca consideraram igual?
— Eu nunca disse isso, Selena. Cuidado com as suas palavras. — Respondeu Riana com aspereza.
Nathan estendeu a mão e pousou gentilmente o dorso dela contra a mão da esposa. O toque fez Riana se virar para ele, a irritação tremulando em seu rosto. Nathan respondeu com um sorriso tranquilizador e um pequeno aceno, como se pedisse em silêncio que ela ouvisse primeiro.
Que a mulher falasse. Que revelasse o que realmente queria.
No fim, Riana cedeu.
Diferente de Eli, que apenas abaixou ainda mais a cabeça. Seu peito parecia apertado. Aquelas palavras não miravam apenas Nathan e Riana. Também a atingiam, como um tapa.
— Talvez a senhora não tenha dito... — Selena prosseguiu, seu sorriso agora tingido de tristeza. — Mas é assim que fui tratada. Eu consigo sentir, Sra. Miller.
Dessa vez, Nathan escolheu falar.
— Você pede desculpas... — Disse Nathan de forma equilibrada. — E depois usa esse pedido para nos acusar.
Os lábios de Selena se curvaram levemente.
— Estou apenas declarando os fatos, pela minha perspectiva.
— Muito bem... — Respondeu Nathan calmamente. — Então permita que eu compartilhe algumas coisas pela nossa.
Ele se endireitou na cadeira. Sua voz permaneceu baixa, medida, sem jamais se elevar, exatamente como a de um líder acostumado a debates tanto em salas de reunião quanto em tribunais.
— Por que precisou passar pela mídia? — Perguntou. — Por que não veio diretamente à nossa casa?
Selena ergueu os ombros em um pequeno gesto.
— Eu já tentei procurar vocês. Eli até aprendeu a fazer biscoitos, só para levá-los como presente, especialmente para a avó dela. Mas, infelizmente, parece que vocês estavam ocupados demais e escolheram nos ignorar.
— Não. — Nathan rebateu com firmeza.

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