Eli realmente não sabia o que dizer. As palavras de sua mãe haviam transformado aquela atmosfera acolhedora, amorosa e tranquila em algo pesado e desconfortável.
Ela ainda estava de pé ao lado de Althea, com os dedos agarrados à barra da própria blusa. O calor daquele abraço ainda parecia envolvê-la quando a voz de Selena ecoou outra vez.
— Não ouviu o que sua mãe disse? — Selena abriu um sorriso discreto, cheio de deboche.
Ninguém precisava perguntar o quanto ela estava irritada. Ver Eli escapar cada vez mais de seu controle fazia sua raiva queimar por dentro.
— Você está mesmo começando a esquecer quem é, não está? — Perguntou Selena, sem emoção, com um tom baixo, mas cortante.
Ela entrou na sala de jantar, os saltos estalando contra o piso de mármore.
— Ou já esqueceu quem trouxe você para esta casa?
Eli engoliu em seco. Seus ombros ficaram rígidos.
— Mãe. — Disse ela, baixinho.
Selena parou bem diante dela. Seu olhar percorreu Eli lentamente da cabeça aos pés, frio, afiado e intimidador.
— Volte para o seu quarto. — Ordenou Selena, com firmeza. — Agora!
Eli não se mexeu.
Toda a mesa ficou em silêncio. Riana observava Selena, com as sobrancelhas levemente franzidas. Lydia parou de cortar as frutas. Até Felicia finalmente ergueu os olhos do tablet.
Não era que eles não quisessem defender Eli. Mas havia limites que precisavam ser respeitados. Eli tinha de fazer a própria escolha. Não podia ser empurrada. E, naquele momento, ela precisava encontrar a própria voz.
Devagar, Eli ergueu o rosto. Seus olhos ainda estavam incertos, mas sua voz saiu mais clara desta vez.
— Eu quero tomar café da manhã aqui, mãe.
O silêncio ficou ainda mais pesado.
A expressão de Selena mudou.
— Eu não repito ordens. — Disse ela, em voz baixa.
Ela não havia levantado o tom, mas a pressão por trás daquelas palavras era impossível de ignorar.
As mãos de Eli se fecharam junto ao corpo. A ansiedade estava estampada em seu rosto, mas havia uma determinação frágil em seus olhos.
— Eu... Fiz isso para a senhora Althea. — Disse, com a voz pequena. — Quero vê-la provar.
Selena soltou uma risada curta, sem nenhum calor.
— Então agora você está ocupada tentando chamar atenção? — Zombou ela. — Acha mesmo que, fazendo esse tipo de coisa, eles vão considerar você parte da família?
O rosto de Eli empalideceu na mesma hora. Sua cabeça baixou. Ouvir palavras assim da própria mãe doía mais do que qualquer outra coisa.
Foi então que Althea falou.
— Selena.
Sua voz era gentil, mas firme o suficiente para impedir qualquer coisa que Selena estivesse prestes a dizer. Althea permaneceu calmamente ao lado de Eli. Não havia raiva em sua expressão, nem ofensa. Apenas uma compostura silenciosa e uma firmeza inabalável em seus olhos.
— Eli preparou o café da manhã para mim hoje... — Disse ela. — E eu ainda nem provei.

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