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O Arrependimento Dele - Ex-Marido Me Quer de Volta romance Capítulo 588

As lágrimas de Eli não pararam de imediato, mas aos poucos se transformaram em fungadas silenciosas. A tensão que antes enrijecia seu corpo deu lugar ao cansaço. Ela permaneceu sentada na beirada da cama, com a mala ainda aberta ao lado, enquanto Althea continuava por perto, sem apressá-la, sem se afastar, apenas oferecendo toques gentis de vez em quando.

Cada pequeno gesto fazia Eli se sentir segura.

— Obrigada... Por ficar comigo. — Disse Eli, suavemente.

Ela enxugou as lágrimas restantes das bochechas, conseguindo abrir um sorriso fraco apesar do peso de decepção e tristeza que ainda permanecia em seus olhos.

— Fico feliz que tenha conversado comigo hoje.

Althea segurou o rosto de Eli com as mãos e a olhou com firmeza.

— Da próxima vez, fale comigo antes. Me conte o que está sentindo.

Eli jamais imaginara que um dia ficaria tão perto de Althea. Não como uma convidada deslocada, não como uma menina que precisava manter distância, mas como alguém acolhida e consolada sem condições.

Ela observou a mulher ao seu lado, sentindo algo complicado se mover em seu peito.

— Senhora Althea...

Sua voz ainda estava rouca de tanto chorar.

— A senhora é sempre assim?

— Assim como? — Perguntou Althea, com gentileza.

— Calma. Sem se deixar levar pela emoção. Sem... Culpar.

Althea abriu um sorriso discreto.

— Eu também sou humana, Eli. Fico com raiva. Fico magoada. Mas preciso saber onde colocar esses sentimentos. E, neste momento, eles não pertencem a você.

Eli abaixou o olhar por um instante antes de erguer os olhos outra vez. Havia algo brilhando neles agora, mais do que lágrimas remanescentes.

Era admiração.

— Josh e Grace têm muita sorte. — Disse, baixinho.

Althea ficou imóvel.

— Eles têm uma mãe como a senhora.

O pequeno sorriso de Eli, desta vez, não carregava amargura.

— Alguém que escuta. Alguém que dá tanta atenção a eles. Alguém que está presente mesmo quando está cansada.

Althea não esperava aquilo.

— Eu reparo nas coisas. — Continuou Eli, suavemente. — Quando Grace fica grudenta ou Josh fica teimoso, a senhora nunca os deixa realmente sozinhos. Pode até dar bronca... Mas os abraça depois.

Ela enxugou outra lágrima.

— Às vezes, sinto inveja. — Admitiu, com honestidade. — Queria saber como é ser abraçada assim desde pequena... Sem ter medo de cometer um erro.

O quarto ficou em silêncio. Althea não respondeu de imediato. Apenas acariciou os cabelos de Eli com delicadeza, deixando o silêncio se acomodar em vez de se apressar para preenchê-lo.

— E agora você sabe como é, não sabe? — Perguntou baixinho.

Eli assentiu de leve.

— Sei.

Uma pequena pausa ficou entre elas antes que Eli voltasse a falar.

— Antes... Eu achava que a senhora era a razão pela qual a vida da minha mãe era tão difícil.

Suas palavras saíram cuidadosas, como se temesse causar novas feridas.

— Eu até odiei a senhora por um tempo.

Althea não afastou a mão da dela.

— Mas, quanto mais tempo fiquei aqui, mais vi como a senhora trata todo mundo. Os funcionários. A vovó. Até eu.

Eli respirou devagar.

— Não existe ódio nos seus olhos.

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