— Você não acha estranho? Quero dizer... O quão próxima sua esposa é de James. — O tom dela era leve, mas a intenção por trás das palavras era clara. — Eles estão sempre juntos, nos bastidores, em promoções, até quando Vanessa estava doente. Todo mundo da indústria está acostumado a vê-los lado a lado. Quase como... Um casal?
“Doente?”, repetiu Daven internamente.
Quando ela ficou doente? Eu perdi alguma coisa?
Algumas pessoas por perto começaram a trocar olhares. Algumas tentaram parecer indiferentes, enquanto outras claramente se interessaram pelo que Rose, sim, esse era o nome dela acabou de dizer. Suas palavras deixaram uma fina tensão pairando no ar.
Daven manteve o olhar fixo nela, com uma expressão calma e indecifrável. Não se abalou, não piscou.
— James é um empresário bem pago, cujo trabalho é garantir que a agenda de Vanessa funcione sem problemas... — Respondeu ele, de maneira equilibrada. — E eu confio completamente em Vanessa.
O sorriso de Rose não vacilou.
— Uau. Você realmente é o marido perfeito. Não são muitos homens que são tão... Sábios. Impressionante, senhor Callister.
— Nem todo mundo entende como é o profissionalismo. — Disse Daven friamente, sua voz baixa, mas cortante.
Ele tomou outro gole da bebida, como se a pergunta dela não tivesse passado de uma pequena irritação em uma noite entediante.
— Com licença.
Havia muitos cantos para onde ele poderia se retirar, mas o lado do local voltado para o jardim oferecia um pequeno refúgio de silêncio. Ele precisava disso. As risadas, o tilintar das taças, as intermináveis conversas superficiais, tudo se transformava em um ruído sem sentido em seus ouvidos. O peso do desgosto ficava mais forte a cada segundo.
— Arsen! — Chamou ele, apenas alto o suficiente.
Seu assistente, que estava por perto, apareceu ao lado dele em um instante.
— Sim, senhor Daven?
— Prepare o carro.
Arsen congelou por um momento, sem ter certeza se havia ouvido corretamente.
— Agora, senhor? Mas—
— Agora! — Interrompeu Daven, sem deixar espaço para discussão. — Se alguém perguntar, diga que tive um assunto urgente para resolver.
— Sim, senhor. Vou organizar a saída pelo acesso do estacionamento dos fundos. Ainda há alguns repórteres perto do saguão. Vou garantir que não sejam muito insistentes.
Daven fez um pequeno aceno e saiu do salão sem sequer olhar para trás, na direção onde Vanessa havia estado pela última vez.
Acompanhando o passo do chefe, Arsen abaixou a voz.
— Senhor Daven... Há outra coisa. Sobre aquela notícia que saiu enquanto o senhor estava em SunCity, há algum tempo. Algumas contas de fofoca começaram a pegar a história.
— Acabe com isso. — Disse Daven friamente. — Encontre a fonte original. Pague, intimide, faça o que for preciso. Não quero que essa história se espalhe mais. Isso me deixa desconfortável.

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