Daven estava de costas para a sala, olhando pela enorme janela que ia do chão ao teto. A cidade de Mighatan se estendia diante dele, o trânsito agitado do meio-dia, o movimento incessante das pessoas, os prédios imponentes e um ritmo de vida que nunca realmente parava. Mas aquela vista, por mais viva que fosse, mal tocava seus pensamentos. Sua mente estava em outro lugar.
As mãos estavam cerradas dentro dos bolsos da calça, e sua mandíbula permanecia rígida.
O relatório da investigação de Rio continuava ecoando em sua cabeça, não porque estivesse completo, mas justamente porque não estava. Rio não conseguia se aproximar. Nem mesmo um simples teste de DNA havia sido possível. E, de alguma forma, todos os registros do nascimento de Josh em SunCity haviam sido apagados.
Alguém estava escondendo alguma coisa. E seus instintos se recusavam a ignorar isso.
Havia uma pressão incômoda dentro dele, insistente e implacável, sussurrando a possibilidade de que Josh pudesse ser seu filho. Mas, se isso fosse verdade... E então? Ele não tinha resposta. Nem sequer sabia o que faria caso fosse a verdade que sempre lhe foi negada.
Ainda assim, Daven sabia de uma coisa: Não podia simplesmente ignorar aquilo.
Uma batida suave na porta quebrou o silêncio, seguida pelo rangido das dobradiças e por passos cautelosos que se aproximavam.
— Sr. Daven! — Arsen entrou, visivelmente apreensivo. — Desculpe interromper, mas... Alguém está tentando falar com o senhor. Disseram que já ligaram várias vezes.
Daven não se moveu nem um centímetro.
— Quem?
— Sra. Catherine, senhor. Ela está pedindo que o senhor vá para casa hoje à noite. Haverá um jantar em família. Os Blake também estarão presentes. — Arsen hesitou antes de acrescentar a última parte, sua voz carregada de desconforto.
Daven soltou uma risada seca.
— Claro. A Vanessa planejou isso, não foi?
Ele não estava surpreso, nem um pouco. Mas, desta vez, simplesmente não se importava. Havia algo muito mais importante ocupando seus pensamentos.
— Então... Devo preparar algo para enviar para a casa principal? — Perguntou Arsen com cuidado. — Quer dizer, se o senhor for comparecer.
— Não precisa. — Respondeu Daven, sem emoção. — Eu não vou.
Arsen piscou, confuso.
— Mas, senhor—
Daven finalmente se virou para encará-lo. Arsen estava a poucos passos, claramente surpreso com a recusa inesperada. Não era difícil entender o motivo, Daven nunca faltava a compromissos familiares.
Mas desta vez ele não tinha intenção alguma de ir a qualquer lugar que lhe causasse tamanho desconforto.
Tudo o que pedi à Vanessa... Ela tratou como se não significasse nada.
Será que a fama realmente deixa alguém tão arrogante? Pensou amargamente. Tudo o que eu queria era ficar com a mulher que amo. Passar tempo com ela, construir algo de verdade. Mas talvez isso já não seja mais possível. Tudo mudou.
— Sr. Daven, sobre o jantar desta noite, eu acho que pode—
Daven levantou a mão, interrompendo a conversa. O gesto era claro, ele não queria ouvir mais uma palavra sobre aquele jantar.
Arsen imediatamente baixou a cabeça e recuou do assunto. Desde que Vanessa apareceu no escritório alguns dias antes, o temperamento de Daven estava imprevisível.

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