Chego ao bar chique com as meninas por volta das nove da noite. O lugar é elegante, com luzes baixas, música boa e mesas bem arrumadas. Larissa, minha amiga de faculdade, me puxa para dentro animada.
— Hoje você merece relaxar, Ravena. Esquece o escritório por algumas horas.
Pedimos drinks leves. Bebo devagar, sentindo o gosto doce na boca. O ambiente é ótimo: as pessoas riem, a música toca alto o suficiente para animar sem machucar os ouvidos. Conversamos sobre tudo e nada. Depois de um tempo, vamos para a pista. Dançamos juntas, cantamos as músicas que conhecemos, levantamos os braços e rimos quando erramos a letra. Sinto o corpo leve pela primeira vez desde que comecei na Bitencourt.
Bebo mais um drink, sempre aos poucos. O calor da pista sobe, mas estou bem. Giro, canto junto com Larissa e duas outras meninas que conhecemos ali. A noite flui gostosa.
Em certo momento, olho para o lado e vejo ele entrar. O senhor Michel Bitencourt chega acompanhado de dois seguranças e de uma mulher de cabelos pretos longos, vestindo um vestido vermelho justo. Eles caminham até uma mesa próxima à nossa. Ele está de camisa social escura, sem gravata, com o ar sério de sempre. A mulher ri de algo que ele diz e toca o braço dele.
Larissa percebe na hora e se aproxima do meu ouvido.
— Ravena, olha só… Não é o seu chefe ali? O todo poderoso Michel Bitencourt.
— É ele mesmo. — respondo, dando de ombros.
— Você está bem?
— Claro. Estou fora do expediente.
Volto a dançar. Não quero estragar a noite. Continuo cantando, bebendo devagar e aproveitando o momento com as meninas. De vez em quando olho na direção dele. Michel conversa com a mulher, mas em alguns momentos seu olhar passa pela pista. Não sei se ele me viu.
As horas passam. Já passa da uma da manhã quando decidimos ir embora. Estou cansada, mas feliz. Digo às meninas que vou ao banheiro antes de chamar o Uber.
Saio do banheiro ajustando meus óculos e, de repente, trombo contra alguém. Dou um passo para trás e levanto o olhar. É ele. Michel Bitencourt. Estava indo em direção à área da boate anexa.
— Senhorita Ravena, bom te ver aqui — diz ele com a voz grave, um leve sorriso no canto da boca.
Fico nervosa na hora. Meu rosto esquenta.
— Senhor Bitencourt… Boa noite. Desculpe, eu não vi o senhor.
Ele não se afasta. Ficamos próximos no corredor estreito. Seus olhos escuros me encaram com intensidade. Olho para ele também, sem conseguir desviar rápido. O ar parece mais pesado.
— Não precisa pedir desculpas. Você está se divertindo? — pergunta, a voz baixa.
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