Acordo atrasada. O despertador não toca direito e eu pulo da cama correndo. Visto a roupa social o mais rápido possível, escovo os dentes e saio de casa sem tomar café. O ônibus demora e o metrô está lotado. Chego à empresa às oito e vinte. Meu coração já b**e forte quando passo pela recepção.
Mal entro na sala dos estagiários e a secretária me avisa:
— O senhor Bitencourt quer falar com você agora.
Vou até a sala dele com as pernas fracas. Ele está de pé, atrás da mesa, com os braços cruzados. O rosto está sério.
Lá vem bomba.
— Senhorita Ravena, você está atrasada no seu quarto dia de trabalho. Isso é inaceitável. Aqui não é faculdade. Não aceitamos atrasos. Se o horário é oito horas, você chega às oito horas. Entendeu?
— Sim, senhor. Desculpe. Meu despertador não tocou e o transporte…
— Não quero desculpas. — interrompe ele, voz dura. — Quero pontualidade. Você ainda é estagiária em período de experiência. Se não conseguir cumprir o básico, não vai durar aqui. Agora volte ao trabalho e entregue os contratos revisados até as onze.
— Sim, senhor Bitencourt.
Saio da sala com o rosto quente e os olhos ardendo. Sento na minha mesa e começo a trabalhar em silêncio. As mãos tremem um pouco enquanto ajusto meus óculos.
Bem que a Julia avisou que ele é exigente.
Perto do meio-dia, Lucas e Julia se aproximam.
— Ravena, vem almoçar com a gente. Você precisa respirar um pouco.
Aceito. Vamos em grupo para a lanchonete que fica ao lado do prédio. Sentamos em uma mesa grande. Peço um prato simples e como devagar. Eles começam a conversar e logo as fofocas aparecem.
Julia se inclina para frente e fala baixo:
— Vocês souberam da doutora Carla? Ela está traindo o marido com o advogado do terceiro andar. Os dois foram vistos saindo do hotel na semana passada.
Conheço bem, é uma mulher de meia idade que da de cima de alguns homens.
Letícia ri e completa:

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