Empurro a porta com mais força do que o necessário, me sentindo ainda menor assim que encaro o ambiente sofisticado.
Algumas pessoas me olham, provavelmente porque estou um caos ambulante, mas, sinceramente, não me importo.
Vou direto para o bar espelhado e me sento com as pernas bambas, ainda tentando processar tudo o que aconteceu.
— Um cosmopolitan, por favor — peço ao barman, apontando para a primeira bebida que vejo no cardápio.
Ele me serve com um olhar cheio de pena. Talvez minha cara de desespero esteja mais óbvia do que imagino.
Pego o drink com as mãos trêmulas, tentando parar de chorar. Sei que preciso me recompor, mas é impossível quando meu coração parece dilacerado.
Três anos da minha vida. Dois dias sonhando com um pedido que provavelmente nem era para mim. E Robert simplesmente sumiu, me deixando sozinha no meio desse caos.
— Pelo jeito, seu dia foi pior que o meu. E olha que fechei três contratos e demiti duas pessoas antes do almoço.
Me viro e vejo um homem ruivo, alto, de terno visivelmente caro.
Os olhos azuis me observam com um misto de curiosidade e algo que não sei se é julgamento ou preocupação.
Ele é... impressionante. O tipo de homem que, em circunstâncias normais, nunca notaria minha presença.
Mas, claro, devo estar tão acabada que até desperto pena.
— É assim que você consola alguém? Com estatísticas? — pergunto, encarando-o com surpresa pela abordagem.
— Só as interessantes. — Ele se senta ao meu lado. — E você tem cara de quem tem uma história interessante por trás dessas lágrimas.
— Interessante é um eufemismo para "patética"?
— Não. Patética seria se você estivesse chorando por um homem que vale a pena. — Ele inclina a cabeça. — Mas algo me diz que não é o caso.
Quase sorrio pela primeira vez no dia.
— Você é sempre tão... direto?
— A vida é curta demais para rodeios. Especialmente quando se trata de mulheres bonitas em bares caros.
— Me chamo Nathan — diz, estendendo a mão.
— Ann — respondo, forçando um sorriso fraco enquanto ele beija meus dedos.
— Então, Ann… posso saber por que uma mulher tão linda está chorando? — pergunta, enquanto sinaliza para o barman e pede um whisky.
— Você não quer passar sua sexta-feira ouvindo os problemas de uma estranha, Nathan.
— Talvez não. Mas com certeza quero fazer sua noite menos… triste — diz, se apoiando no balcão com um sorriso tranquilo. — Que tal começar desabafando?
Respiro fundo, encaro seus olhos azuis e, antes que perceba, já estou contando tudo: a traição do Robert, a humilhação pública, a demissão injusta.
Nathan escuta cada palavra com atenção. Xingando Robert nos momentos certos, me fazendo rir até sem querer.
Por algumas horas, esqueço o caos que me trouxe até aqui. Bebemos, conversamos, rimos…
Nathan é incrível. Pela primeira vez em horas, alguém me trata com gentileza.
— Que tal me deixar cuidar de você? — ele pergunta, quando nossa segunda rodada de drinks chega ao fim. — Podemos terminar essa noite em outro lugar.
Minha boca se entreabre, surpresa com a proposta, mas não com o desejo que ela desperta.
— Eu...
— Não pense — ele interrompe, se aproximando mais. — Por uma noite, pare de pensar no que deveria fazer e faça o que quer fazer.
Normalmente, eu negaria e sairia correndo sem pensar duas vezes.
Mas hoje... não sou a Ann cautelosa e racional. Sou uma mulher ferida, que só quer se sentir desejada de novo.
— Tudo bem — murmuro, com um sorriso contido. — Me surpreenda.
Nathan sorri como se tivesse acabado de ganhar um prêmio e estende a mão para mim.
Enquanto seguimos para a saída, não consigo evitar a pergunta: como um homem como ele quer passar a noite comigo?
Não que eu me ache feia, na verdade, gosto do que vejo no espelho. Mas hoje? Hoje estou um caco ambulante.
No carro, ele dirige em silêncio, e eu agradeço por não ter que forçar nenhuma conversa.


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