O mesmo homem gentil que me consolou naquela noite agora me observa com olhos frios como gelo. Como se eu fosse uma estranha.
Meu estômago revira.
— Sente-se — ele ordena, com a voz seca, sem nenhum pingo da gentileza de antes.
Fico paralisada por um segundo.
Então me forço a entrar e me aproximar, tentando manter a calma por fora, enquanto por dentro tudo desmorona.
O Nathan daquela noite não está aqui. O homem diante de mim agora… é só o CEO da Evermont Industries.
Frio. Calculista. Irreconhecível.
Me sento à sua frente e, por alguns segundos, o encaro em silêncio, buscando qualquer sinal de reconhecimento.
Um sorriso. Um olhar. Qualquer coisa que diga “eu me lembro daquela noite”.
Nada.
— Bem, vamos começar, Srta…?
— Sterling. Ann Sterling — respondo, mais fraca do que gostaria.
— Ann Sterling — ele repete, como se fosse a primeira vez que ouve o nome. — Currículo.
Entrego o papel, tentando controlar as mãos trêmulas. Nathan nem me olha, apenas folheia as páginas como se tivesse todo o tempo do mundo.
— Srta. Sterling — ele começa, largando os papéis de lado com indiferença. — Me dê um motivo para não jogar seu currículo no lixo.
— Sou formada em Gestão Empresarial — começo, tentando manter a postura. — Tenho cinco anos de experiência em administração e…
— Experiência… — ele me interrompe, levantando os olhos. — Isso normalmente não basta quando a reputação da candidata está… em dúvida.
— O que quer dizer exatamente?
— Que os boatos não têm sido nada gentis com você, Srta. Sterling — responde, seco. — Uma empresa séria não quer contratar alguém envolvida num escândalo. Principalmente alguém cuja maior “qualificação” é… seduzir homens comprometidos.
Engulo em seco, sentindo a humilhação me sufocar. Todas as rejeições, olhares, sussurros… até quando isso vai durar?
— Você também acredita nisso — murmuro, amarga. — Acha mesmo que eu era amante do Robert?
— As evidências falam por si — ele dá de ombros. — Relacionamento secreto por três anos, ninguém sabia da “namorada”… É exatamente o que uma amante faria.
— Eu não era amante de ninguém! — explodo, perdendo a calma. — Robert era meu namorado. Há três anos. Você viu como eu estava destruída, como não fazia ideia de nada!
— Vi uma mulher chorando num bar — responde, frio. — Mulheres sempre têm sua versão dramática dos fatos.
A raiva sobe quente, queimando minhas veias. Não é só a humilhação. Não é ele fingindo que não me conhece. É o julgamento, vindo justamente de quem me acolheu naquela noite.



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