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O Despertar da Rainha Militar Divorciada romance Capítulo 329

“Podemos começar hoje à noite?”, ele perguntou.

“Hoje à noite?”

Julius abaixou a cabeça até o cabelo roçar o ombro dela, a voz rouca de exaustão. “Faz dias que não durmo direito. Não vou fazer nada, só quero uma boa noite de sono.”

“Tudo bem. Comece hoje. Mas não tenho pijama pra você, então vai ter que trazer o seu.”

Julius pegou o celular e discou sem hesitar, os dedos se movendo como os de quem já havia ensaiado esse momento.

Quinze minutos depois, Fabian chegou, uma mala elegante balançando na mão.

“Os itens essenciais e as roupas do Sr. Whitethorn”, anunciou, colocando a mala junto à porta.

Na soleira, Fabian pressionou um pequeno frasco de comprimidos na palma de Quinn. “Isto é pro Sr. Whitethorn. Se ele não conseguir dormir, dê esses comprimidos. No máximo cinco de uma vez. Por favor, não o deixe ultrapassar a dose.”

“Ele costuma tomar mais do que deve?”, perguntou Quinn, observando o frasco.

Ela não fazia ideia de que Julius já estava nesse ponto, precisando de remédio pra conseguir dormir.

“Quando a insônia do Sr. Whitethorn fica forte o bastante pra abalar os nervos, às vezes ele engole um comprimido extra”, revelou Fabian, o olhar desviando para a porta fechada do quarto, como se as próprias paredes pudessem escutar.

Quinn inclinou a cabeça, uma mecha de cabelo caindo à frente antes que ela a afastasse com calma. “Certo, entendi.”

Depois de acompanhar Fabian até a porta, ficou parada por um momento no corredor penumbroso, o frasco frio e estranho contra a palma da mão. Cruzou o batente do quarto justo quando Julius saiu do banheiro, o vapor se enrolando ao redor dele como um véu passageiro.

Recém lavado e já vestido em roupas de dormir de seda, ele estava tão dolorosamente familiar que a respiração de Quinn vacilou, levando-a de volta às noites antes de tudo desabar. Noite após noite, ele saía exatamente assim: cabelo úmido, olhar sereno, uma expectativa silenciosa pairando entre os dois. Por um breve instante, ela acreditou que nada da dor tivesse acontecido.

O olhar de Julius se prendeu no pequeno frasco âmbar que brilhava na mão dela. “O Fabian te deu isso?”

Quinn girou o frasco entre os dedos, as pílulas chacoalhando como dados abafados. “Ele achou que você ainda podia ter dificuldade pra dormir mesmo ficando comigo, então deixou, por precaução.”

“Quando descobri que você escondeu o vídeo do meu irmão, eu te odiei... Odiei por não ter me contado antes, por ter guardado a verdade, até te culpei por não tê-lo salvado naquela noite. Mas nessa viagem a Dória, você me protegeu de novo e de novo, e cada uma dessas vezes ficou gravada na minha memória. Então, não guardo rancor. Não te odeio. Sou grata, e, naturalmente, quero que esteja bem e seguro.”

Sem mais o que dizer, Quinn pegou as roupas limpas, respirou fundo e entrou no banheiro, deixando a porta se fechar suavemente atrás dela.

Julius se aproximou do criado-mudo, encarando o frasco como se fosse cúmplice da própria fraqueza. As palavras dela não trouxeram culpa nem ódio, mas também não trouxeram amor. E a ausência dessa promessa pesava no peito dele.

Se ela realmente desejasse minha paz, ficaria. Só ao lado dela posso estar em segurança.

Ergueu a mão esquerda e roçou os lábios contra a pulseira de sândalo. O murmúrio escapou, baixo como uma prece. “Enquanto você estiver comigo, nunca mais vou precisar dessas pílulas.”

A pulseira fora um presente dela.

Desde então, ele a usava todos os dias, e nas noites em que o sono o abandonava, a beijava, fingindo que seus lábios tocavam os dela.

Só assim a tempestade dentro de sua mente se acalmava o bastante pra deixar o descanso entrar.

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