Ponto de Vista da Natalia
Ao chegar no festival, a primeira coisa que noto é a grande roda-gigante e a enorme montanha-russa, que faz todos gritarem com medo. Logo, quero dar uma volta nelas.
"Vamos lá, linda." Xavier diz ao abrir minha porta, como um cavalheiro.
'O quê? Quando ele saiu do carro?'
"Parece que o cavalheirismo ainda não morreu." Eu dou uma risada junto com ele, antes de sair do carro.
"É claro que não, minha dama." Ele responde, ainda rindo.
Fecho a porta do carro atrás de mim, ele coloca uma mão nas minhas costas, logo acima da minha cintura, levando-me em direção à entrada do festival. Isso me dá um arrepio agradável.
"Ah... Pode não colocar a sua mão nas minhas costas assim? Está desconfortável." Digo, envergonhada, enquanto ando.
"Peço desculpas se deixei você desconfortável, é só que..." Preciso interrompê-lo no meio da frase, para não criar nenhum mal-entendido e evitar que ele se sinta culpado.
"Não. É só que eu sinto um pouco cócegas aí." Eu comento, rindo de um jeito estranho para esconder meu constrangimento.
Ao ouvir minha resposta, ele imediatamente para no caminho também, parando seu fluxo de pensamentos. Antes que eu possa reagir, ele me puxa pela cintura para o seu lado. Eu sei que contar isso a ele é um erro.
Tento me livrar de seu aperto, contudo, ao ver meus movimentos defensivos, ele começa a passar os dedos pelas minhas costas. Isso faz com que eu ria contra minha vontade.
"Hahaha... pare! Escute, haha... não é engraçado! As pessoas estão olhando... hahahaha, para nós." Eu tento falar entre risos.
"Parece que alguém já está se divertindo, sem nós." Ouço a voz de Luciano atrás de mim, corro em sua direção.
Escondida atrás de Luciano, tomo fôlego, para acalmar meus nervos. Meu coração bate mais rápido com todos esses toques e as cócegas.
"Você é tão malvado, Xavier." Minhas bochechas ficam inchadas de irritação, seguro então a mão de Luciano para entrar no festival.
Lanço um último olhar para Xavier, eu não sei se é apenas impressão minha, mas seus olhos parecem estar fixos em minha mão entrelaçada com a de Luciano. Penso ver seus olhos brilharem um pouco em uma cor avelã, antes de voltarem a ser aquele seu castanho âmbar.
Acreditando ser apenas por causa do reflexo do sol, dou de ombros antes de puxar Luciano para uma loja de doces.
"Pera aí! Não me diga que vai comprar doces agora?" Luciano diz, encarando-me de um jeito adorável.
"E daí? Não é só criança que come doces. Além disso, temos que alimentar nossa criança interior." Argumento antes de comprar algodão-doce.
"Ah... está bem. Agora, se sua criança interior está satisfeita, vamos voltar para os nossos amigos e andar juntos na montanha-russa. Certo?" Luciano pergunta. Eu concordo com um aceno de cabeça.
Chegando perto do grupo de novo, esperamos na fila para andar em uma das menores montanhas-russas. Fico atrás com Luciano, para evitar Xavier, que está mais na frente.
Como se ele sentisse nossa presença, ele se vira assim que nós chegamos, lançando-me um olhar complexado.
"Esta montanha-russa é a menor, com menos voltas. Você não acha que vai ser chato?" Eu pergunto para ninguém em particular.
"Eu sei, mas Adolph disse que deveríamos nos preparar lentamente para aquela grande." Samuel comenta, apontando para a maior montanha-russa, onde as pessoas gritam loucamente. Aqueles que provavelmente acabam de descer dela estão vomitando ao seu lado.
"Está bem." Eu digo.
Quando volto o olhar para o meu algodão-doce, vejo que metade dele já sumiu. Eu me viro para o culpado ao meu lado, com as bochechas infladas de irritação, sem falar nada.

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