Ponto de Vista da Natalia
A queda que nunca acontece.
Quando não sinto nenhuma dor, abri os olhos para entender por que eu não caí, quando me lembro claramente de ter tropeçado com força naquele galho de árvore.
No entanto, a situação diante de mim, ou o que acontece comigo, não é uma pegadinha. É verdade. Esse pesadelo dos meus poderes fora de controle está só começando.
Há um tipo estranho de luz saindo das minhas mãos, que eu tinha colocado na frente do meu rosto para me proteger. A luz atinge com tanta força o chão, que não me deixa cair.
Pelo contrário, eu vejo que não há folhas ou pedras no lugar onde a luz aponta. Todas as folhas são empurradas para longe, e o chão está tão limpo que parece que alguém passou um pano nele.
'Ma-mas o que acabou de acontecer?' Eu pergunto a ninguém em particular.
'Eu avisei, né? Seu pânico só vai fazer os seus poderes lhe protegerem mais, e as coisas vão ficar ruins se você não controlá-los do jeito certo.' Halia explica.
'Você quer dizer que eu fiz isso? Este poder, esta luz, ou seja lá o que for, tudo vem de mim?' Pergunto a ela.
'É óbvio. Você achou mesmo que tinha um Gênio com você?' Halia zomba da minha tolice.
'Então eu não tenho um Gênio? Gênios não existem?' Eu indago. Minhas esperanças se despedaçam, deixando-me triste.
'Meu Deus, Natalia! Isso nem deveria ser motivo de preocupação. Estou dizendo que estes poderes são seus, e tudo com que você preocupa é que não tem um Gênio? Que Gênios não existem? Você está falando sério?! Você é o Gênio!' Halia grita comigo, fazendo-me fechar os olhos de irritação. 'Espere, o que estou dizendo? Sua estupidez está me afetando também. Não existe nenhum Gênio para começo de conversa. É como se fosse a magia de uma bruxa, está bem?' Halia diz.
Fico em silêncio, pensando nisso.
'Então, eu não deveria ter pelo menos uma vassoura para voar por aí?' Eu pergunto, percebo que só a estou irritando ainda mais.
'Sabe de uma coisa? Se você quer uma vassoura ou mesmo um avião para viajar por aí, eu não me importo. Não é da minha conta. Além disso, estou com fome. Vamos comer alguma coisa antes que eu esmague sua cabeça com minha irritação e emoções.' Halia me avisa, sentando-se no sofá dentro da minha mente.
Espera! Da última vez, só tinha uma cadeira, como ela virou um sofá?
'E se? E se a Halia for o Gênio, que está realizando meus desejos com esses poderes? Isso pode ser verdade, certo?' Eu penso, bloqueando minha mente, para que ela não possa ouvir nada.
Antes mesmo de eu dar um passo à frente, escuto um farfalhar atrás de mim.
"Oi! Lia! Por que você saiu correndo assim? Que dr*ga! Você corre mais rápido do que um lobo!" Xavier comenta ao se aproximar de mim.
"Por que você está me seguindo? E que lobo? Até parece que você corre com lobos todos os dias." Respondo, controlando minhas emoções, assim como Halia manda. Eu não quero mostrar meus poderes na frente dele e deixá-lo assustado.
Eu não quero que as pessoas pensem que sou algum tipo de aberração ou algo assim.
"Eu só… Eu vi você correndo para fora do refeitório depois do incidente com a Lisa, então eu..."
"Então, você naturalmente pensou que foi culpa minha, que fiz aquilo com sua namorada? Certo?" Questiono, interrompendo-o.
Apesar de eu tentar parecer fria, com uma postura de "não é minha culpa, então, tanto faz", sinto que não consigo. Estou muito nervosa que ele possa descobrir sobre meus poderes.

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