Ponto de Vista da Natalia
Hoje é meu primeiro dia de aula na faculdade. Tomo banho cedo e me arrumo; visto um top e uma jaqueta jeans, calças de cintura alta e botas. Amarro meu cabelo em um rabo de cavalo alto e fico pronta para sair de casa, praticamente a caminho da minha nova vida.
Para ser honesta, estou muito nervosa. Eu não quero ler os pensamentos das pessoas, essa sempre é a minha maior preocupação.
Sim, vocês entenderam certo: eu sou telepata. Às vezes, se eu me concentrar um pouco, consigo ler os pensamentos das pessoas, com uma taxa de 99% de acerto.
É bastante exaustivo e, bem, muito irritante.
Eu sempre sinto que estou invadindo a privacidade das pessoas e odeio isso.
Até os meus 16 anos, eu nem tinha amigos. Eu apenas sempre encontrava algum defeito na atitude e no pensamento deles ao ler as suas mentes.
Depois disso, passei a tentar controlar melhor esse dom, ou seja maldição ao máximo. E, agora, consigo ler os pensamentos de alguém só quando quero.
Antes, eu não tinha nenhum controle sobre isso e, na maior parte do tempo, eu voltava para casa gritando de dor e agonia, pois minha cabeça doía com uma pressão insuportável.
Suspirando alto, tranco a porta antes de respirar o ar fresco.
Como a universidade não fica muito longe da casa da Melissa, apenas a 10km, decido ir a pé.
Caminhar sempre me ajuda a esvaziar a cabeça e, ao observar as florestas e natureza tão bela deste lugar, eu me sinto mais à vontade.
Coloco meus fones de ouvido para escutar minhas músicas favoritas, é quando vejo um borrão de algo passando rápido na minha frente. Parece a silhueta de um animal gigante.
Pauso minha música, então olho para a esquerda com nervosismo, na direção para qual ele foi. Porém, não encontro nada suspeito nem qualquer sinal de um grande animal indo para lá.
'Foi só uma impressão.' Eu me consolo.
Talvez por este lugar se chamar Pearly Canines, que significa algo como "caninos perolados", e pela Melissa ter me contado histórias antigas sobre o motivo por trás deste nome, eu começo a imaginar coisas agora.
Lobos vivendo com humanos, como se fossem seus amigos? É sério? Me poupe!
Olho para o meu antigo relógio de pulso, que ganhei de presente da minha mãe, percebo que falta apenas meia hora para chegar lá e, portanto, decido correr o restante do caminho.
No entanto, a imagem daquela figura borrada continua surgindo em minha mente.
Ao chegar à universidade, a primeira coisa na qual reparo é a sua grandiosidade. Não sei por que uma universidade tão grande e cheia de prestígio não é mais popular, nem sei porque fica em uma cidade tão isolada como esta.
Ouvi Melissa dizer que a universidade só aceita poucos alunos e que os critérios dessa seleção são um mistério para todos.
E, para deixar claro, não sou alguém que se dedica assim para a vida acadêmica, mesmo que o meu QI seja considerado acima da média; isso apenas me ajudar a ter notas altas.
"Oi? Natalia, certo?"
Eu me viro para ver quem me chama e vejo Luciano caminhando, junto com seus amigos, na minha direção.
"Sou eu, sim... Você é o Luciano, se eu lembro bem."
"Sim, sou! É isso mesmo. Da última vez você saiu cheia de pressa. Deixe eu apresentar meus amigos. Estes são Katherine, Adolph, Rick, Geline e Isadora. Esses dois caras que estão correndo até aqui são Samuel e Tom." Ele apresenta.
Apenas olho educadamente para todos antes de dizer meu nome.
"Sou a Natalia. Natalia Granger."
Com isso, eu me viro para ir para a minha aula. É quando sinto uma mão pesada no meu ombro.



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