Depois de se arrumar, Estela ainda tinha muito tempo livre.
De repente, sem nada para fazer, deixou-se ficar ali, distraída, olhando para o teto antes de se deitar na cama.
Talvez por tudo o que havia acontecido nos últimos dias, bastou fechar os olhos para adormecer.
Quando acordou de novo, já era hora do almoço do dia seguinte.
Levantou-se meio zonza e, assim que colocou o pé no chão, sentiu uma pontada aguda.
Só então percebeu que o dedinho, que havia batido na noite anterior, agora estava inchado e avermelhado.
Mas, como tinha combinado de ir à casa dos Farias mais tarde, não dava mais tempo de passar no hospital.
Passou uma pomada rapidamente e saiu.
Lucas nunca gostara de voltar à mansão com ela, e agora que estavam se divorciando, muito menos motivo havia para esperá-lo.
Pegou o presente que já havia separado para a avó e seguiu para a oficina retirar o carro que sua mãe lhe dera, o mesmo que havia sofrido um acidente, mas agora estava consertado. Em seguida, dirigiu direto para a casa antiga dos Farias.
A mansão ficava nos arredores da cidade, em uma área tranquila e com ar puro.
Estela reduziu de propósito a velocidade do carro, abriu a janela e deixou o vento fresco entrar.
Respirar aquele ar limpo aliviou um pouco o peso e a confusão que vinham se acumulando dentro dela.
Quando chegou, estacionou o carro e desceu.
Estava prestes a entrar quando ouviu, atrás de si, uma voz feminina familiar:
— Estela, é você mesma?
Ao escutar aquela voz, ela parou por um instante.
Virou-se e viu Jéssica e Lucas.
Jéssica estava com o braço enlaçado no dele, e na outra mão carregava várias caixas de presente com embalagens caprichadas.
Os dois vinham caminhando lado a lado, tão próximos que, por um instante, Estela teve a impressão de que a esposa de Lucas era Jéssica, não ela.
Mesmo já tendo aceitado o divórcio, e sabendo que cedo ou tarde, Jéssica acabaria se casando com ele, não deixou de sentir um frio no peito.
O processo não havia terminado, e ele já trazia Jéssica à casa da família, como se nada fosse.
Provavelmente queria preparar o terreno.
Apesar de não gostar de Jéssica, Estela manteve a compostura e a cumprimentou com um sorriso:
— Que coincidência.
O sorriso dela era natural.
Lucas lançou-lhe um olhar, e nos olhos escuros dele passou um traço de irritação.
Estela apertou os lábios, sem saber se avançava ou recuava.
Sentia-se encurralada.
Suspirou e, por fim, entrou.
Assim que cruzou a porta, ouviu gritos animados vindo de dentro:
— Aaaah! Jéssica, como você sabia que eu amo o fundador da UME? É a assinatura dele! Deve ter sido caríssimo, meu Deus, eu te amo!
Na sala de estar, uma jovem de cerca de dezessete ou dezoito anos, vestida com um vestido amarelo-claro, agitava o celular autografado com empolgação.
Enquanto gritava, correu e se jogou nos braços de Jéssica.
Jéssica a deixou abraçar, e quando o entusiasmo dela diminuiu, apertou-lhe carinhosamente as bochechas e sorriu:
— Se você gostou, então valeu a pena.
— Nada é mais valioso do que ver o sorriso da nossa Lara.
Lara, feliz demais, balbuciou sem pensar:
— Jéssica, eu te adoro! Pensa... se meu irmão tivesse se casado com você, eu seria a cunhada mais feliz do mundo!
Estela estava prestes a entrar quando ouviu exatamente essa frase.

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