Estela foi novamente ao escritório de advocacia e pediu ao advogado que redigisse um contrato de divórcio.
Na verdade, ela já tinha preparado a maior parte enquanto estava no hospital, só faltava discutir a parte dos bens com Lucas.
Antes, ela tinha uma carreira promissora, mas depois do casamento, a família Farias disse que não queria que a esposa de Lucas aparecesse em público. Assim, ela foi obrigada a se demitir e se dedicar totalmente a cuidar das rotinas e refeições dele.
Como Lucas gostava de tranquilidade, mandou dispensar todos os empregados e faxineiros da casa, restando apenas Dona Vera.
Dona Vera era pessoa de confiança de Célia e, amparada por essa relação, não tinha o menor pudor em mandar em Estela, dava ordens, folgava no trabalho e ainda fazia Estela servir como empregada.
Lucas não sabia disso.
Ou talvez soubesse, mas escolhesse ignorar.
Por isso, mais do que esposa, Estela se sentia como uma acompanhante e empregada gratuita trazida para servir a Lucas.
Ela sabia que não teria direito a metade dos bens dele, mas acreditava que também não deveria sair de mãos vazias.
Pensando bem, pediu ao advogado para pesquisar os salários médios na sua área de atuação nos últimos anos e fazer um cálculo. Assim, chegou a um valor razoável para colocar no contrato.
Depois de preencher tudo, Estela voltou pra casa com o documento em mãos.
Assim que entrou, viu o chão todo sujo, e a mesa de centro da sala coberta de cascas e restos de frutas.
A responsável, Dona Vera, estava sentada no sofá da sala, relaxada, comendo frutas e assistindo à novela do momento.
Ao vê-la chegar, Dona Vera, que até parecia tensa por um instante, logo se tranquilizou.
— Voltou? — Disse, afundando-se de novo no sofá e voltando a assistir à televisão.
Quando Lucas estava em casa, Dona Vera mantinha a postura de uma empregada exemplar. Mas bastava ele sair, e ela se comportava mais como dona da casa do que a própria Estela.
Estela sabia que ela estava, como sempre, esperando que ela não aguentasse a bagunça e começasse a limpar.
Dona Vera tinha mais ou menos a idade da mãe falecida de Estela.
No começo, Estela não suportava vê-la fazendo tudo sozinha e sempre a ajudava com o serviço.
Depois, talvez por achá-la fácil de lidar, Dona Vera começou a inventar desculpas de que estava passando mal e empurrava a maior parte do trabalho pra ela. Com o tempo, nem se dava mais ao trabalho de fingir.


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