Guilherme
Chegar na fazenda e sentir esse cheiro de terra molhada é bom demais. Isso me traz uma sensação de paz e aconchego. Faz muitos anos que não vejo meu amigo, e estou muito feliz por poder ajudá-lo de alguma forma.
Quando paramos o carro, Estela desceu primeiro e eu fui logo atrás.
Ele estava sentado na varanda, com a perna estirada, visivelmente entediado. E logo atrás dele... estava ela, Maria Júlia. Uma loira incrivelmente linda. Se eu não tivesse percebido o olhar que ele lançou pra ela, juro que eu iria investir.
Assim que vi o Luca, não perdi tempo.
— Ora, ora... O grande Luca, domador de cavalos e agora... paciente. sorri de lado. — Como é que você consegue se meter nessas, hein?
Ele apertou minha mão e retrucou, daquele jeito seco dele:
— E tem gente que só assiste.
Soltei uma gargalhada alta.
Entramos e fomos em direção à cozinha. E lá estava ela de novo... a loira linda que, pelo visto, o meu amigo estava ajudando.
Me apressei, estendi a mão pra ela e, claro, joguei meu charme:
— Boa tarde. falei, encarando-a nos olhos.
— Boa tarde... respondeu meio sem graça.
"Xi... essa eu já perdi. Tá caidinha pelo meu amigo." Pensei comigo, segurando o riso.
Seguimos pra olhar a perna do Luca. Assim que bati o olho nos exames, fiquei mais tranquilo.
— Você deu sorte, cara. Foi uma fratura simples. Com repouso, você vai estar bom rapidinho.
— Ótimo... respondeu entediado. Assim volto logo a cuidar de tudo por aqui.
Sorri de canto e não perdi a oportunidade:
— E a moça? A Maria Júlia... quem é?
Ele respirou fundo, como se estivesse medindo as palavras.
— Uma conhecida do Padre Miguel. Pediu abrigo aqui por uns dias, só isso.
Olhei pra ele, depois olhei pra ela lá fora, e comentei, meio pensativo:
— Ela parece... diferente. Tem um olhar... intenso. E bonito.
Estava sondando, claro.
Ele ficou em silêncio por uns segundos e depois respondeu, seco:
— Ela não quer ninguém. Tá machucada... passou por muita coisa. Só quer um pouco de paz.
Não resisti. Cruzei os braços e disparei:
— E você... quer o quê?
Silêncio.
— Tá... ri. — Eu ia embora amanhã, mas... talvez eu fique mais um tempo. Vai que eu encontro um bom motivo.


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