Estela
Quando o Guilherme faz aquelas coisas e começa a tratar a Maria Júlia daquela forma, eu me senti tão mal. Acho que, na verdade, eu ainda o amava.
Quando estávamos à mesa de jantar e ele disse aquilo, eu tentei mudar de assunto. Percebi que a Maria Júlia estava desconfortável. Queria que ele parasse, que não desse em cima dela na minha frente. Mas... quem sou eu pra ele? Apenas a irmã mais nova do seu amigo. Nunca serei mais do que isso.
A Maria Júlia se levantou, e eu ainda tentei conversar com ele, mas logo segui até a cozinha, onde pedi à Marta que preparasse um chá. Queria uma desculpa para me aproximar daquela menina. Eu vejo o olhar do meu irmão... o quanto ele está encantado por ela. E ela não fica atrás, os olhares são claros. Eles serão um casal tão lindo.
— Aqui, minha filha. Leva pra Maria Júlia. Sei que ela tá precisando. Disse Marta, me entregando a bandeja com o chá.
— Obrigada, Marta. Vou levar sim, sorri, pegando a bandeja.
Caminhei até o quarto da Maria Júlia e bati suavemente na porta. Logo ouvi um:
— Pode entrar!
Abri a porta, já com um sorriso no rosto.
— Oi... tudo bem? Posso entrar?
— Oh... claro! Fique à vontade, respondeu, ajeitando-se, meio desconfortável.
— Vim te trazer isso, estendi a bandeja. — A Marta disse que seria bom você tomar algo quentinho.
— Obrigada... — ela sorriu, meio tímida.
Sentei na ponta da cama, respirando fundo.
— Sobre o Guilherme... comecei, olhando para minhas próprias mãos — Ele não costuma agir assim. Hoje ele... exagerou. Não quero justificar, porque não tem justificativa. Na verdade... abaixei a cabeça, sentindo o rosto queimar — eu tô morrendo de vergonha.
Fiquei em silêncio por alguns segundos, até que confessei, num sussurro:
— Sabe... eu gosto do Guilherme há muito tempo. Ver ele hoje, daquele jeito, doeu... doeu muito. Foi um choque de realidade, sabe?
Ela segurou minha mão com delicadeza e disse, com um olhar sincero:
— Às vezes... precisa doer pra gente enxergar.
Sorri fraco. Conversamos mais um pouco, sobre coisas bobas, sobre a vida, até que me levantei, ajeitando a roupa.
Quando já estava na porta, parei, me virei e soltei, quase
quase sem pensar:
— Sabe... o meu irmão... o Luca... ele gosta de você. — falei, olhando nos olhos dela.
Ela me encarou, surpresa, quase sem acreditar.
— Ele pode até não ter percebido ainda... ou não querer admitir, mas... ele gosta de você. E você? Também sente... não sente? arqueei a sobrancelha, esperando sua reação.
Ela ficou em silêncio, os olhos arregalados, sem saber o que responder.
Aproveitei a deixa e sorri:
— Amanhã vamos sair! Vamos às compras, um passeio só de meninas. Se prepara!
— Compras? ela perguntou, franzindo a testa.


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