Beatriz digitou o nome da loja de massas no GPS do carro.
Assim que pisou no acelerador, uma sombra apareceu na frente do para-brisa.-
— Iiirrr... — O som do freio foi alto.
A sombra ergueu a cabeça devagar. Contra a luz do carro, seu rosto estava visível.
Era Lucas.
— Você ficou louco? — Beatriz xingou e saiu do carro. — Se quer morrer, não faça isso na minha frente, por favor.
Ela achou que daria azar.
Os olhos do homem estavam vermelhos.
Com a voz rouca, ele perguntou: — Você tem um filho?
Beatriz achou a pergunta estranha; já que não o atropelou, ela ia voltar para o carro.
Ao virar as costas, sentiu a mão fria dele segurar seu pulso.
— De onde veio a criança? — Lucas estreitou os olhos.
Beatriz o olhou como se ele fosse idiota. Ela não queria dar atenção, mas não conseguia soltar a mão.
Ela perdeu a paciência e disse irritada: — Claro que o filho é meu, é o fruto do amor entre mim e meu marido...
— Fruto do amor, coisa nenhuma.
Antes que ela terminasse de falar, foi interrompida.
O olhar de Lucas ficou tenso: — Seu filho tem sete anos, nós terminamos há sete anos.
Beatriz entendeu tudo na hora.
Mateo só tinha seis anos e não era seu filho biológico.
No entanto, ela sabia o que ele queria perguntar.
— E daí? — Beatriz perguntou em voz baixa, sem emoção. — Lucas, acha que a criança é sua?
— Como você tem coragem de perguntar? Nosso filho morreu faz tempo.
Naquela época, ela tremia de dor, enquanto ele estava na casa de outra mulher.
Quando chegou ao hospital, o médico balançou a cabeça e disse que o bebê não tinha mais batimentos cardíacos.
Ela ficou arrasada, só queria morrer junto com a criança.
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