O jantar estava arruinado. Enquanto todos pareciam cansados ao seu redor, Antonela só queria que Benjamim saísse de dentro da emergência com boas notícias. A sensação que ela tinha era de que ele havia passado tempo demais dentro daquele lugar.
Mal percebeu que Adam adormecera em seus braços.
Lançou o olhar até Dominique e lhe disse:
— Por que não voltam para casa? – sussurrou quando ela lançou um olhar decepcionado em sua direção.
— E deixar minha melhor amiga sozinha? – ela instalou os lábios em reprovação – vou pernoitar sonhando com aquele jantar. A Alessia deve estar aproveitando essa hora.
O comentário fez uma ruga surgir na testa de Antonela. Alessia deveria estar no hospital esperando notícias sobre Henrico, mas Dominique parecia ter razão. Alessia não se importava, deveria estar jantando tranquilamente enquanto Henrico lutava para sobreviver.
Antonela viu Benjamim sair da emergência com um semblante abatido. Seu coração saltou na mesma velocidade que suas pernas. Ela se pôs de pé em frente a ele, angustiada, com Adam nos braços, esperando que uma bomba fosse jogada em cima dela a qualquer momento.
Ele tomou Adam dos braços dela e Antonela considerou aquilo um péssimo sinal.
— Você já pode entrar para ver o Henrico – ele disse e forçou um sorriso – ele está no mesmo quarto onde esteve pela última vez.
Antonela sentiu a voz desaparecer, era como se houvesse algo no semblante de Benjamim que denunciasse que algo ruim estava acontecendo, ou talvez fosse apenas impressão sua. Ela engoliu a seco e, sem dizer nada ao marido, entrou, caminhando pelos corredores até alcançar o lugar onde seu pai estava.
Ela teve medo de entrar ali, medo de como Henrico estaria. Seu coração batia dolorosamente dentro do seu peito e Antonela orou baixinho para que seu pai estivesse bem. Abriu a porta vagarosamente e, quando seus olhos o alcançaram, ela sentiu uma explosão de sentimentos.
Antonela abriu um sorriso sincero. Ela estava esperando a pior notícia possível sobre o estado de saúde de Henrico. Ela realmente sentiu medo de perdê-lo. Precisava dizer isso a ele, antes que fosse tarde demais. Era hora de acertar as contas com o seu pai.
— Lamento muito que o senhor tenha que passar por isso – seus olhos recaíram sobre as mãos enrugadas dele. Foi estranho se dar conta de o quanto Henrico já estava velho – precisa evitar conflitos com a Alessia, pelo bem da sua saúde.
Ele instalou os lábios e virou o rosto de repente, fazendo Antonela se lembrar do lado rabugento e ranzinza dele. Ela achou engraçado.
— Eu não posso simplesmente esquecer que a Alessia existe – ele disse e só depois se deu conta do peso de suas palavras. Virou o rosto para olhar para Antonela e conseguiu imaginar o que ela pensava naquele exato momento – quando você foi embora, durante muito tempo o meu primeiro pensamento do dia era você. Eu soube esconder muito bem a minha angústia por não ter notícias suas.
Antonela sentiu um nó se formando em sua garganta. Abaixou a cabeça porque não conseguia olhar nos olhos de Henrico enquanto o ouvia dizer aquelas coisas.

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